Frase de Claudio Roberio Moura Luz
QUIRINO Quirino, velho Quirino, viveu boa parte da sua vida em dedicação aos serviços da Igreja Matriz de Simplício Mendes. Alto, moreno, magro e de rosto pequeno, causava, à primeira vista, a sensação de ser circunspecto, mas, era mesmo só aparência, pois tinha uma voz e uma maneira bastante engraçada, e essas características lhe ajudava bastante a conseguir mais fácil a simpatia das pessoas. Nas suas festas de aniversário, compareciam muitos convidados. Uma boa parte da turma, principalmente a que não tinha muito dinheiro para comprar um bom presente, não queria perder os comes e bebes dessas festinhas. Por isso, compravam sabonetes, embrulhavam-nos e os entregavam como presente. Outros não tinham dinheiro nem para isso e enrolavam pedras no formato de algum objeto. Quirino, já cansado de tanto embuste, resolveu ficar na entrada da casa recebendo os convidados com seus presentes. Ao apalpar o embrulho e notar que era parecido com sabonete, dizia logo: — Sabonete não, menino! Sabonete já tem. Em outra ocasião, sentindo-se chateado no acerto de contas de uma das festas religiosas da Igreja Matriz de Simplício Mendes, ele saiu às ruas gritando e dizendo que ia se enforcar em um pé de coentro que tinha no quintal da sua casa.
No pensador.ai desde