Frase de KANGAL
Césio 137 — Não Tão 137! Em meio ao eco do noticiário, lá estava eu na aridez do hospital. A pele ardendo em chamas, fogo invisível que corroía a estrutura dos meus ossos. Vieram as náuseas, mas nada se comparava ao estigma e ao olhar de pavor que vinham daquela multidão. A dor maior, contudo, foi o desapego: saber que perderia o contorno dos meus cabelos. Nem a morfina ou o fentanil davam jeito. Ah, meus lindos cabelos... Castanhos, reluzentes, cintilavam à luz da noite. O que omitiram sobre o fascínio daquele pó azul era a exaustão mórbida que cobria o corpo. Vomitar as próprias entranhas na apatia do silêncio... A radiação era um golpe tão denso que anestesiava os sentidos antes da ruína.Tontura, dor de cabeça, o colapso — tudo chegou depois, em ritmo lento. Engraçado. De todo esse caos, restou apenas uma réstia de luz: a memória daquele dia, eu e você, na serenidade da praia do rio. Senti, enfim, uma paz absoluta. Obrigado por ser a minha última lembrança de amor. Autor: James Richard Ferreira Pantoja (Pseudônimo: KANGAL)
No pensador.ai desde