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Frase de Augusto Galia Fernandes

Escopos da vida Mais uma vez; sozinho! Estive ontem, também; sozinho! Amanhã não posso estar diferente. Afinal de contas, todos os meus amanhãs Serão sempre, sozinho. Passei pela vida sem ter religião e nem amigos. Ou talvez tivesse amigos; mas todos, sem religiões. Não, não tenho arrependimentos! Estou hoje entre a covardia de ser eu mesmo E o mistério que é a covardia de não ser ninguém. Ainda que para isto; eu me torne subitamente alguém. Tenho vivido de fronte à tantas portas, Portas que ninguém mais consegue passar... Que não passam, porque diante de mim nada passa. Estou indiferente a mim mesmo. Porque tudo aquilo que não posso ser Hoje eu sou! Mas sem pais. Ah, se ao menos tivesse um pai. Se ao menos tivesse um pai, teria os ombros mais leves. Como um pássaro carregado pela mãe. Estou sozinho, sendo um bonifrate imaginário, sem imaginações. Sem imaginações, porque na minha vida nada muda. Nada melhora e nada piora, nada é novo! Tudo é velho e cansativo, com a minha alma. Sou um escritor que faz versos que não são versos. Porque se fossem versos, teriam melodias e métricas. Ah, escrever, sem versos e métricas, como a vida. Ao passo que os meus não-versos prosseguem, A inabilidade caminha rumo ao meu coração. Este castelo fantasmagórico, este lugar de terra cinza. Tudo na minha literatura é velho e cansativo. Como o autor deitado em uma cama esticado como uma cuíca. O silêncio do meu quarto fatiga os ouvidos do meu coração. A minha vida é uma artéria atulhada de lembranças solitárias. Lembro-me que ao nascer... O médico olhou-me aos olhos e parou de súbito. Caminhou pelo quarto e sentou-se em uma cátedra. Ergueu as mãos ao queixo, apoiou-se fixamente sobre ele. E ficou ali a meditar profundamente. Passou-se o tempo e tornei-me infante. Subi ao céu, observei o mundo e aconteceu; Deitei o mundo sob os meus ombros. Depois desci ao pé de uma árvore e adormeci. Quando acordei estava a chorar de arrependimento. Na casa que eu morava, já não havia ninguém. A minha mãe diziam ter ido ao céu; procurar-me! Não tendo me encontrado, tratou logo de nunca mais voltar. E por lá ficou, e nunca mais a vi. Nunca soube por que o destino inóspito lhe tirou a vida... Se o altruísmo materno é a metafísica de toda a essência Ou se abúlica vivência é pela morte absorvida, Não seria à vossa morte um grande erro da ciência? Talvez um pai! - Meu pai perdeu-se nos meus ombros, Era um fardo que eu sustentara sem nunca tê-lo visto. Todos os meus sonhos e ambições nasceram mortos. Descobri que a alegria de todos; era o mundo sob os meus ombros. Olhavam-me e riam-se: Apontavam-me como a um animal. Quando resolvi descer o mundo dos meus ombros, Percebi que a vida passou; e nada de bom me aconteceu. Não tive esperanças ou arrependimentos. Não tive lembranças, culpas ou a quem culpar. Não tive pais, parentes e nem irmãos. E por não tê-los; este era o mundo que eu carregava aos ombros. Este era eu. Sozinho como sempre fui. Sozinho como hoje ainda sou. Um misantropo na misantropia. Distante de tudo aquilo que nunca esteve perto. Um espectador que tem olhado a vida. Sem nunca ter sido percebido por ela. A consciência dos meus ombros refletida no espelho Demonstra a reflexibilidade desconexa de quem sou. Outra vez fatídico, outra vez um rejeitado por todos. Como a um índio débil que o ácido carcomeu. Ah! Esse sim; por fim, sou eu. Eu que tenho sido incansavelmente efetivo a vida. Eu que tenho sido o fluídico espectro de mim mesmo. Eu que tenho sido a miséria das rejeições dos parentes. Eu que tenho sido impiedoso até mesmo em orações. Eu que... – Eu que nunca tenho sido eu mesmo. Ah! Esse sim; por fim, sou eu. Ouço ruídos humanos que nunca dizem nada. Convivo com seres leprosos que nunca se desfazem, Desta engrenagem árida que chamamos mundo. Ah, rotina diária que chamamos vida. Incansáveis restos de feridas que sobrevivem, Nesta torrente da consciência humana.⁠

Augusto Galia Fernandes

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Pensador.com

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⁠Soneto das Recordações Imaginárias Nas festas só de memórias imaginadas, Vivo eu, limitado em existencialismo. Caprichos meus, fantasias aladas, Loucura e ingenuidade em abismo. Serpente sou, em harpas melódicas tocadas, Nobiliárquico em desgraças, sem otimismo. Das sensações humanas, já fatigadas, Nas veredas antigas, encontro o cinismo. Meus deuses, iníquos, tecem a fábula da vida, Onde cada ato é farsa, cada dor é conhecida, E a verdade se esconde, velada e esquecida. Em minha alma, ecoam vozes, perdidas, Nesse palco de sonhos, onde a fé é partida, Sou espectro vagando, em jornadas extintas.

⁠Ecos do Inexplorado Sob olhares desconfiados, somos julgados, Em um mundo onde as mentes são mares inexplorados.
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⁠Ecos do Inexplorado Sob olhares desconfiados, somos julgados, Em um mundo onde as mentes são mares inexplorados. Nas ondas do desconhecido, navegamos sozinhos, Nossas vozes, ecos distantes, em caminhos sem vizinhos. Nas profundezas do ser, onde os sensores traçam, Linhas e ondas, mapa de uma alma que não se encaixa, Cada pico, cada vale, um universo a desvendar, Nas sinfonias elétricas de histórias a contar. E na busca por alívio, na química encontramos abrigo, Quietados numa chave misteriosa, portas do desconhecido. Em cada molécula, uma promessa, um novo amanhecer, Um convite para a mente, suavemente, se entender. No silêncio das tempestades, a fumaça sussurra calmaria, Como um bálsamo suave, trazendo paz ao dia. Nas correntes do sentir, um elixir para a dor, Um toque gentil, um caminho para o amor. Somos viajantes de um cosmos vasto e singular, Cada estrela, uma história, em um céu a brilhar. No espectro singular, cada luz, uma cor, Cada vida, uma poesia, um eterno explorador.

⁠Soneto da Existência Dicotômica No rastro da vida, um dilema se esconde, Por ouro e por sombra, em dúvida me perco.
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⁠Soneto da Existência Dicotômica No rastro da vida, um dilema se esconde, Por ouro e por sombra, em dúvida me perco. Nas curvas do ser, o destino que arremesso, Vale a pena o viver, ou é fardo que responde? Verdades se ocultam em fé não contida, Na pressa da vida, a eterna busca insana, Cada curva, um desafio, na estrada que emana, Onde a mente batalha, na jornada sofrida. Mas na sinfonia da vida, um regente persiste, Talento e decência, em harmonia tão rara, Na dualidade do ser, a escolha declara, Na ética e na luta, o caráter insiste. E ao final, na busca incessante do ser, Nos versos da vida, a essência revela: Na força do sonho, a alma anseia e apela, Por um mundo que, em dualidades, devemos percorrer.

⁠Universo Introspectivo Dentro de mim, há mais do que o olhar alcança, Sou um Mar profundo de pensamentos, em tempestades de emoção,
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⁠Universo Introspectivo Dentro de mim, há mais do que o olhar alcança, Sou um Mar profundo de pensamentos, em tempestades de emoção, Navego por esses mares, como estrelas guias, Que brilham como a luz da introspecção. Ah, essas noites longas, em que me debruço sobre mim, Onde o silêncio fala mais alto do que qualquer grito, Descubro nas sombras que me cercam, Ecos do meu eu antigo, sussurros de um destino esquecido. Nessas horas, o mundo externo adormece, Torna-se mero espectador de um drama íntimo, Onde eu sou o ator e a plateia, mas sem diretor e a crítica, Em um teatro onde cada pensamento é um ato e cada suspiro, uma cena. E nesse palco, luz e sombra dançam, Entrelaçam-se em um abraço de revelação, A cada movimento, um mistério recôndito surge, Numa coreografia de descobertas e transformações. Em mim, o universo se expande, Sou uma galáxia de possibilidades em um sistema solar de sonhos, Cujo os pensamentos, tal qual um cometa errante, Perdem-se em sentimentos em sua própria órbita. E assim, nessa dança universal, Encontro a verdadeira essência da existência, Não no mundo lá fora, mas no universo aqui dentro, Na revelação interior, onde cada estrela é um pedaço do meu ser.