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Frase de Carlos de Castro

⁠NATAL DOS TEMPOS Ele teve sempre aquela mania Talvez até doentia, Uma espécie de nostalgia, Quase tara silenciosa De vestir de cor de rosa, O Natal da meninice. E naquela sua tontice: Saudade da lareira da avó, As botas velhas engraxadas Com cheiros a anilinas No pial limpo do pó, Simples, sem coisas finas, À espera do Deus Menino. Tudo era genuíno Naquela noite de breu, Duas meninas e eu... Que a outra ainda não nasceu... Noite longa em palha nova Dos colchões de dormir Na cama de ferro velhinha, As fantasias à prova Num sono que não quer vir. Sonhavam aquele brinquedo Ainda que fosse de pau, Um barquinho ou uma nau, Talvez uma bola de pano Bonecas de faces rosadas, Como as fadas. Batiam as badaladas Da primeira missa do dia, Pé ante pé, em segredo, Naquela manhã tão fria, Lá vão eles ao pial... Nas botas, algo ia mal, Nenhum brinquedo de pau, Somente um magro e fatal Rabinho de bacalhau. E até ficaram contentes, Sem chorarem pelos presentes, Que a vida é feita de nadas... Restavam as rabanadas, O que já não era mau. (Carlos De Castro in Há Um Livro Por Escrever em 21-12-2023)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)