Frase de Deutes Rocha Oliveira
“LEMBRANÇAS DA FAZENDA” Hoje me lembrei da serra onde eu nasci, Fez lembrar das histórias das visagens, Causos a causos detalhados dos mais velhos, Recordando desses contos que ouvia, me perdi; Eita Dona “Matinta Pereira” mãe mata que mora ali, Era uma tal de assombração que leva as crianças; Sem piedade, raptadas de suas casas, Só Deus sabe quão grande foi o medo que senti; Não recebia gente em casa à noite, nem se podia partir, A noite a mata era assombração para todo lado, Cobra grande, boto d´água, saci Pererê, O maior dentre eles era o gigante Mapinguari; Eu pensava: Deus me livre se tudo isso se reunir? Um sarau na floresta dos seres lendários apavorantes, Festejando e assombrando as noites tão brilhantes, Imaginando, coitado de povo que mora ali; Mas no cantar do galo via a luz do sol surgir, À medida que o dia clareava, O desespero assim passava, Sentindo o cheiro do que café que ia sair; As galinhas chegando na varanda daqui, É um corre-corre pra todo lado, O galo que não cria os pintos vem apressado, Para comer da quirela esparramada bem ali; Incrível essas lendas, de dia não existiam por ali, Só sobrava tempo para trabalhar o dia todo, Planta, colhe, arranca, corta e roça o mato Na cidade a comida não é melhor do a daqui; Todo dia eu oro ao Pai do Céu grato a pedir, Senhor meu Deus fui homem do campo, Na cidade hoje tiro o meu sustento, mas eu ainda sonho, Viver feliz do jeito matuto, como lá, na fazenda onde eu nasci! Deutes Rocha Oliveira, 10-11-2021
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