Pular para o conteúdo

Frase de Abraham Schneersohn

⁠No princípio, o som não era som. Era uma intenção tímida, um arrepio do nada suspeitando que poderia ser algo. Então veio o ritmo — não por desejo de música, mas por saudade de ordem. O caos teve inveja da simetria. E dançou. Deus ainda não era Deus. Era apenas um ponto de interrogação com vertigem de consciência. Questionou-se. E isso foi luz. Foi quando o tempo, esse estagiário do eterno, decidiu andar. Um passo por dúvida, dois por desejo, e tropeçou — na matéria. A primeira pedra? Era um pensamento que esqueceu de ser leve. A primeira árvore? Uma ideia enraizada por engano. O primeiro corpo? Um gesto que ficou preso num espelho. A carne não veio com manual, mas veio com sono. E o sono inventou o sonho, só pra que o impossível tivesse um lugar onde ensaiar. A mente surgiu tarde, mas fez questão de parecer a autora. Ela colecionou razões, explicou a morte antes de entender a manhã, escreveu manuais para sentimentos que só se abriam com lágrimas. Enquanto isso, o coração, esse motor sem engrenagens, continuava batendo como se soubesse de algo que ninguém mais lembrava. Veio o amor — não por nobreza, mas por falha no código da solidão. Uma rachadura bem-vinda. A gente se olhou, e isso nos doeu. Por isso continuamos. Vieram as cidades. Empilhamos medos e chamamos de prédios. Cercamos a dúvida com concreto e demos ao absurdo o nome de “rotina”. Mas dentro, bem dentro, sempre havia um pássaro — não uma alma, mas um instinto de verticalidade. Você já sentiu isso? A sensação de que esqueceram de te explicar o essencial, mas mesmo assim você continua, como quem sabe de um segredo sem saber qual é? Então, veio a poesia. Não a que rima. Mas a que lembra. Veio para dizer que o invisível é real, mas tímido. Que o silêncio é uma linguagem antiga, e que toda saudade é, na verdade, memória de algo que ainda não aconteceu. E é por isso que escrevo: porque talvez alguém — você — esteja à beira de se lembrar. …o que chamamos de “eu” é só uma assinatura mal lida, rabiscada por um autor que escreve com luz mas esqueceu as vogais. Toda identidade, no fundo, é empréstimo. Uma roupa vestida pela consciência só pra ela poder brincar de “gente”. Mas e se o nome que repetes todos os dias não for teu verdadeiro nome, mas o eco do chamado que ainda não respondeste? E se teu rosto for apenas uma metáfora que teus ancestrais esculpiram com medo de se perder? E se você for mais próximo da dúvida do que da certeza? Os deuses… ah, esses velhos astros aposentados que agora moram em memes e marketing — eles não morreram. Eles viraram neurotransmissores. Marte é um pico de cortisol. Afrodite, uma oxitocina bem colocada. Hermes, um pensamento acelerado demais para dormir. E você os invoca sem altar, sem saber. Cada impulso teu é um mito em versão beta. Já percebeu? O inconsciente é só o backstage onde o Real tira os sapatos. Ali, o medo faz cafuné na tua coragem e o amor veste a roupa da raiva só pra testar tua escuta. E o tempo? Ah, o tempo nunca andou pra frente. Ele é circular, como uma desculpa elegante que o universo encontrou pra você rever suas lições com disfarces novos. Por isso os encontros se repetem. Por isso você sonha com coisas que não viveu. Por isso certos olhares te dizem “voltei” quando tudo ao redor insiste em “prazer, quem é você?” Há uma memória antes da memória. E é ela que este poeta tenta tocar.

Abraham Schneersohn

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Abraham Schneersohn

Onde há doação, o mazal repousa.
⁠Refletir sobre si mesmo é uma tarefa dolorosa, mas necessária. Não tenha compromisso em sempre acertar e lembre-se que criar expectativas significa viver o futuro no presente, logo, lhe impõe a viver o agora em um estado de ansiedade, sofrimento e medo. Romper paradigmas é neces…
Continuar lendo

⁠Refletir sobre si mesmo é uma tarefa dolorosa, mas necessária. Não tenha compromisso em sempre acertar e lembre-se que criar expectativas significa viver o futuro no presente, logo, lhe impõe a viver o agora em um estado de ansiedade, sofrimento e medo. Romper paradigmas é necessário e tem um preço, mantenha foco no processo e não esqueça que o mais importante é se orgulhar de você!

⁠Tem gente que vai ver você brilhar, vai admirar em silêncio, mas nunca vai admitir. Tem gente que vai acompanhar suas conquistas, vai aprender com seus passos, mas não vai te dar crédito, porque isso seria reconhecer o seu valor. Tem gente que não suporta a sua alegria, a sua c…
Continuar lendo

⁠Tem gente que vai ver você brilhar, vai admirar em silêncio, mas nunca vai admitir. Tem gente que vai acompanhar suas conquistas, vai aprender com seus passos, mas não vai te dar crédito, porque isso seria reconhecer o seu valor. Tem gente que não suporta a sua alegria, a sua coragem de ser quem você é, e as suas vitórias. Tem gente que não vai te apoiar, mas também não vai conseguir tirar os olhos do seu caminho! Mas entenda: pessoas assim têm um papel importante. Elas nos mostram a importância de confiar em nós mesmos, de valorizar nossas próprias conquistas sem depender do aplauso dos outros. No fim das contas, é sobre seguir em frente, com a cabeça erguida, sabendo que a maior validação vem de dentro. Continue sendo você, brilhando, conquistando, porque a sua jornada é única, e ninguém pode tirar isso de você.