Frase de Edineurai SaMarSi
A Mãe e o Olhar Edineurai SaMarSi Quando eu era criança, a vizinha perdeu o único filho — quase homem… ainda menino. Eu a observava. Sempre fui boa nisso. Depois disso, ela nunca mais foi a mesma. A casa seguia arrumada, as portas abertas, o café no horário. Mas os olhos… ah, os olhos… Eram fundos. Vazios. Fazia tudo como antes. A vida seguia. Mas, em seus olhos, algo havia mudado. Não tinham mais alma, não tinham mais vida… As tentativas de sorriso eram falsas, assim como a vontade de continuar. Eu me lembrava de antes — da sua alegria, da família feliz — e, com a minha inocência de menina, pensava: “Logo isso passa.” Não passou. O tempo andou. Cresci. Tornei-me adulta. Ela se mudou, mas, quando a via, mesmo de longe, aquele olhar continuava o mesmo — parado naquele dia. Como se a alma tivesse saído devagarinho e ido atrás dele. Eu não entendia… Até ser mãe. E perceber que há dores que não enterram só um corpo — enterram o mundo inteiro dentro do peito de quem fica. E alguns dias… simplesmente não passam.
No pensador.ai desde