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Frase de Marilina Baccarat - escritora brasileira

Inicia mais uma semana Por Marilina Baccarat de Almeida Leão Sinto-me como se estivesse caminhando por entre lírios, íris, glicínias lilases, rumo ao caminho das minhas lembranças... Sentindo um aroma de mel, abelhas voando, levando, nas suas asas translúcidas, perfumes, cheiros, aromas dessa doce manhã, que dá início a uma nova semana... Preparei tela, cavalete, pincéis, aquarela... Mas, a magnífica alvorada trazia pinceladas rápidas, com gotas de tintas, que a natureza pintou, antes de mim. A tela da vida, que eu via, ali, era pura magia! Amanhecia, no meu jardim, dando um colorido todo especial... As flores balançavam com o vento e eu me sentia como uma menina, estragando o jardim, arrancando as flores, que davam cor e beleza ao jardim... Eu era uma criança e não sabia o valor e o encanto, que há em um jardim, vivia estragando as flores... À véspera do início da semana, pensávamos que poderíamos colher todas as flores, até que a repreensão da mãe vinha: - Flor é para enfeitar o jardim e não para ser arrancada... As flores devem ter uma constituição entre elas, pois não é possível existir tanta beleza em um jardim florido! Flores, com espinhos, não deveriam se misturar, pois, uma hora, as melífluas iriam se ferir... A rainha de todas elas, que é a rosa, certamente, acabaria por machucar as outras coitadas... E, assim, me senti como uma menina, que gostava de estragar o jardim da mãe, sem saber que aquilo não era correto. Arrancava uma margarida e esfarelava o miolo dela e espalhava pelo jardim, adorava fazer isso. Depois de alguns dias, lá estavam as margaridas brotando e enfeitando o jardim. Não deixava nem uma margarida com o miolo, coitada, pois dizem que as flores, também, sentem dores... E, assim, sentindo dores ou não, se curavam e logo estavam lindas e formosas. Um verdadeiro milagre! Continuei nas viagens por minhas lembranças e veio-me, à mente, a vida dos girassóis... Como era interessante, poder acompanhá-los, no percurso, que eles faziam, acompanhando o sol... Em minhas lembranças, sinto-me como uma menina, que adorava o amanhecer, estando no jardim, observando as flores... O sol começava a despontar e parecia que as flores tinham luz própria... Quando a noite chegava, vinha o sereno e elas brilhavam, também, mas, sem aquele brilho do sol, que lhes dava luz própria... E eu, continuando a caminhar pelas minhas lembranças, relembrando de um passado, que está bem distante, mas, dentro de minha memória, é como se estivesse no presente, colhendo flores e desprezando os espinhos.

Marilina Baccarat - escritora brasileira

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Pensador.com

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É fácil, nos dias de primavera ou verão, deportar esse espectro das marés violentas, para as extremas fronteiras das nossas compaixões, pois somos como o rio, ele, também, tem suas lástimas... Suas águas são luminosas. Mas, quando o sol se afasta, ao findar do dia e o crepúsculo…
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É fácil, nos dias de primavera ou verão, deportar esse espectro das marés violentas, para as extremas fronteiras das nossas compaixões, pois somos como o rio, ele, também, tem suas lástimas... Suas águas são luminosas. Mas, quando o sol se afasta, ao findar do dia e o crepúsculo chega, com suas noites geladas, suas mágoas são profundas... Ele sente sua fragilidade, ao ver os barcos ancorados e tudo se torna nostálgico para aquele rio... Assim, somos nós, sentimos a nossa debilidade, quando a gélida noite chega e nossos dós começam a mostrar-nos a triste cena da escuridão, em nossas vidas... Tudo, então, se torna mais difícil, somos tão frágeis quanto ao rio. Qualquer barulho, nessa obscuridade, transforma-nos em pedaços. Nossos corações se modificam em fragmentos de tristeza, pois a noite é melancólica... Somos como o rio, ele com suas águas estacadas e, nós, com nossos sangues parados em nossas veias, esperando a luz do raiar do sol... Marilina Baccarat de Almeida Leão no livro "Corre como um Rio"

O sol me espera... No céu, brancas nuvens desenharam alegres figuras. O meu dia se encheu de sol! Atravesso a ponte, parece perto, logo ali, mas não consigo chegar. O sol me espera do outro lado, estico os braços, abro as mãos, quase chego, sigo em frente. Ainda não consegui alc…
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O sol me espera... No céu, brancas nuvens desenharam alegres figuras. O meu dia se encheu de sol! Atravesso a ponte, parece perto, logo ali, mas não consigo chegar. O sol me espera do outro lado, estico os braços, abro as mãos, quase chego, sigo em frente. Ainda não consegui alcançar o outro lado. Tento dirigir meu olhar, não ouso olhar para trás, nem desanimar, com as nuvens escuras, pois, sei que, do outro lado da ponte, há claridade, minha bússola vai me orientar. Quisera sentir, na palma da minha mão, essas nuvens brancas, que formam figuras alegres no céu. Como é belo saber que esse sol e esse céu, dissipam toda e qualquer escuridão. Olho o reflexo de mim mesma, na poça que se formou no chão, procuro algo, mas ainda não atravessei a ponte. Ainda não foi desta vez... Mas, em breve será... Atravesso devagar, preciso achar meu norte, seguir a agulha imantada, que anda desorientada, apontando lugares aonde nunca fui... Achar minha rota, não me desviar do caminho, não posso enfrentar rodamoinhos, tenho que contornar obstáculos. A bússola, que carrego comigo, conduz os meus passos, não deixa que eu me afaste de mim mesma. O céu está claro e a trilha está visível. Aponta-me o caminho, a seguir, a agulha da bússola e me deixo levar pela orientação dela. Não sou andarilha, sequer sei o caminho, não conheço suas trilhas, só minha pena é o que possuo. Ergo a bússola em direção ao horizonte, pois é lá que está a minha verdadeira bússola, só ela pode me ensinar o caminho... Tudo clareou e o caminho se fez novo sobre a ponte, atravessei e encontrei ali, do outro lado, o sol, que estava esperando por mim. Esse sol, cuja luz, entra todos os dias, em meu coração e faz com que, em mim, ele, esse sol radiante, nasça todos os dias. Marilina Baccarat no livro "Atravessando Pontes"

UM SER CHAMADO MULHER Gostaria de falar de mulheres, que sabem ser uma mulher, no sentido mais amplo da palavra “mulher”. E isso inclui ser bela e faceira, vivendo cada fase, adaptando-se ao tempo, que, fatalmente, a deixará com rugas, que serão como sinais de experiência... O…
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UM SER CHAMADO MULHER Gostaria de falar de mulheres, que sabem ser uma mulher, no sentido mais amplo da palavra “mulher”. E isso inclui ser bela e faceira, vivendo cada fase, adaptando-se ao tempo, que, fatalmente, a deixará com rugas, que serão como sinais de experiência... O tempo, também, certamente, a deixará com a barriguinha saliente, mas é um ventre, que gerou vidas, se tornou mãe no sentido mais vasto da vida... Mas, ser mulher é muito mais do que isso, é saber guardar segredo e enfrentar tudo sem medo... Ser mulher é ter a alma nobre, que sempre acaricia, mesmo tendo os olhos marejados de lágrimas pelo sofrimento... Ser mulher é saber compreender sempre... Mulher tem que ser guerreira, mas, no dia a dia, criar poesias, lutar por um mundo mais justo, aprender a levar susto, quando a vida lhe surpreende, com amarguras, com angústias e tristezas, sem surtar... Assumir que não é bonita vinte e quatro horas por dia, pois, há dias em que temos a cara de noite mal dormida, cara de mal agradecida, além de muitas outras... Mas, há dia em que temos a cara de noite bem dormida e bem vivida... Ser mulher é saber aguentar os dissabores, os tropeços, que a vida lhe dá, mesmo quando lhe puxam o tapete e ela vai ao chão... Ser mulher é saber enfrentar os enigmas, que encontram pela frente, tendo, sempre, um sorriso nos lábios e a mão estendida para quem precisar... Ser mulher é saber acarinhar cada cabeça, que chora, tendo os braços como os de um polvo, para abraçar a todos e saber, carinhosamente, sempre, consolá-los... Ser mulher é ser forte e resistente, suportar qualquer dor, seja a do parto ou de ser trocada pela melhor amiga... A dor é tanta, que chega a pensar “tinha que ser comigo?”... Mesmo, assim, não se entristece, porque sabe que a dor é passageira e logo virá a felicidade de outros momentos, de outras paisagens... Ser mulher é ser feia ou bonita, é ver-se pelo avesso, olhar no espelho da alma e não saber perder a calma... No espelho, encontrar-se e, em seguida, reconhecer que errar e se perdoar é saber que a mulher é um ser de valor, pois, gera, em seu ventre, um outro ser... Ser mulher é difícil, mas não é impossível. Se assim o fosse, não existiriam tantas mulheres maravilhosas, transitando e mudando o mundo para melhor... Marilina Baccarat, escritora brasileira