Frase de Moacir LuÌs Araldi
Defumando versos Tirou do violão, talvez a derradeira nota. A voz não respondeu. Mudo, apoiou o rosto no próprio instrumento. O fogo ainda o aquecia. A parede da alma amarelada. O tudo de mãos dadas com o nada. A fumaça aumentava Preenchendo cada vazio da poesia da sua vida, Defumando os versos, provocando tosse na rima. O pensamento mal cavalgava lembranças De um alfabeto extinto. De súbito soprou a vela Percebendo a complexidade escura do labirinto. Apenas vestígios de carvão. Nas cinzas, o destruído eterno. Nada mais das chamas galopantes Vistas pouco tempo antes. De costas deitou-se no chão. Cobriu o rosto com o próprio chapéu. De qualquer forma não viria o céu. Nos olhos apenas nuvens formando véus.
No pensador.ai desde