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Frase de Marcello Amorim

CHOVE LÁ FORA, MAS HÁ DE CESSAR... Chove lá fora, vejo a vidraça chorar, Como meu coração também se molha de aflição, Chove lá fora, a chuva mansa, água incessante, Como é também a tristeza que me vence... Chove lá fora, meu coração é árido, Como um campo rachado, angústia sem remédio, Chove lá fora, se molham as flores, Molham-se nesta água mágica e incolor... Chove lá fora, a janela revela pessoas apressadas, Como lhes vai à alma? Como a minha? Talvez seca, talvez molhada, Em busca da liberdade, das cores do arco-íris... Chove lá fora, a chuva nem me deixa ao menos adormecer, Nem mesmo me anestesiar dentro dessa melancolia, Chove lá fora, eu sem sono, sem travesseiro, Somente introspectivo, envenenado, tenso... Chove lá fora, não consigo fazer um verso, Cantar, fantasiar ao menos um amor singelo, Chove lá fora, água persistente, contínua, Faz-me apenas conversar comigo... Cessa a chuva lá fora, vejo a esperança renascer, Nascendo junto com o céu anil, para me reconduzir, Cessa a chuva lá fora, vem também o vento, vem o sol, Como amiga e companheira, reluzindo a dourada justiça, Sedando-me, me fazendo dormir...

Marcello Amorim

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Pensador.com

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MINHA ALMA (PASSADO)... Minha alma tem uma dívida comigo, Com ELE, que assoprou em mim tudo DELE...
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MINHA ALMA (PASSADO)... Minha alma tem uma dívida comigo, Com ELE, que assoprou em mim tudo DELE... Minha alma é uma viagem, Uma manifestação da humanidade em mim, Da terra, do vaso quebrado, do caco, É o entristecer da abóbada celeste... Minha alma é a queda do meu firmamento, É bidimensional, é o céu e a terra... Minha alma busca ser feliz, apaixonar-se, Ela é sempre adúltera decepção, Brilho fosco sem estrelas, Pagã, sem brisas da primavera... Minha alma espanca minha fé, Cobre-me com figueira, como a folha da vergonha... Minha alma é sem sonetos, Poema atulhado de amargura, Expoente ferida escorrendo, Choro sufocado, língua trêmula... Minha alma é do tamanho do mundo, Sou eu, é a algema de tudo...