Frase de Graciela D. William
Meu Moçambique, hoodoo sagrado, Terra de rios que murmuram segredos, Montanhas com ossos de reis antigos, E veias cheias de ouro, promessas e luto. Teus olhos brilham — não de esperança — Mas quando te vendem por trocados, Trocando terra por silêncio, Minas por memórias apagadas, Heranças por contratos estrangeiros. Ó meu belo Moçambique… tão roubado, tão calado. Ó Moçambique de tambores calados, Povo sem cultura, disseram — Pois ensinaram-te a temer teus deuses, A negar teus sonhos, teus espíritos. Chamaram profetas de bruxos, Chamaram sabedoria de maldição. E tu, em silêncio, aceitaste: O sagrado virou pecado, O curandeiro virou ameaça, E a alma se escondeu na sombra. Há grilhões que não se veem, Mas ainda arrastam teu corpo. Escravidão não é só corrente, É esquecer teu próprio nome. Não serás livre enquanto negares O dom de andar entre dois mundos, De falar com os ventos, De entender o tempo pelo tambor. Moçambique, não florescerás Enquanto ajoelhares para um Deus imposto E um Jesus que te foi reescrito. Hoodoo, Belo Moçambique, De incensos e raízes, De chuva e palavra viva. Renasce entre os teus, Grita com tua voz inteira, Ergue tua sombra e tua luz. Meu Belo Moçambique… Desperta.
No pensador.ai desde