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Frase de Carlos de Castro

⁠MORREU O FONSECA-VIVA MANUEL Dos ares de S. Pedro de Paus Do concelho de Resende Banhado pelo Bestança Que desmaia depois no Douro, Veio em tempos uma criança E a família como herança, O seu mais puro tesouro, Habitar no litoral. Chegado o tempo de vida De procurar companheira, A sua amada querida, Estandarte da bandeira, Conheceu uma donzela Adelaide, jovem bela E a ela depois se uniu Num amor puro e total. Pelo Graça então Divinal E desígnios do Criador, Conceberam com muito amor Dois seres, seus diamantes, Vidas que lhes davam alento No agora e no antes, Em tempos de sofrimento. Mas eis que toca a sineta Que Deus escolheu por sinal Quando quer na sua Messe Gente muito boa e reta, Veio, penso eu como mortal E que Deus não me leve a mal, Buscar o nosso Fonseca, Mas deixando o Manuel vivo E do alto desta caneca Que com ele já não faz tchim! Só te peço grande amigo E sei que tu vais dizer sim, Pede a Deus e sem castigo Que livre todos do perigo, Mas nunca peças por mim. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Muito Triste Por Escrever, em 30-07-2025.

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)