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Frase de Carlos de Castro

⁠DATAS NA CONJUGAÇÃO DO VERBO SER Era a noite da revolução, Era o vinte e quatro de um Abril De lágrimas mil Num Argoncilhe Que era mansão E coutada de gentes Da delação; Ainda agora os hão, Nunca diferentes E sempre pelo não. Eram os dezoito de vida Do rapazola que eu era então. Era o ano que me dava E depois me roubava daí por três, A vida de minha mãe Que Deus levou e tem Sem mais porquês. É hoje, neste mesmo dia De um vinte e cinco de Abril, Daqui a tão poucas horas, Que meu padrinho de batismo Desce à terra do campo santo, Fria, No seu gélido manto. Lá se foi a alegria Da festa do simbolismo Daquela madrugada fria E ainda hoje eu cismo Ao defecar na privada, E de encontro ao já pensado Pelo meu povo castigado: "Eles" sorvem tudo E não deixam nada!... (Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 24-04-2024)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)