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Frase de Carlos de Castro

⁠CHORAR PELOS PECADOS DO MUNDO Tantas lágrimas escorriam, Como sangue fluindo, se esvaíam Dos olhos dum puto sentado à beira de uma estrada Na minha aldeia nordestina industrial safada. Não, não era África, nem outro continente, nada... Era no Portugal presente, pretérito e escuro. Havia ali uma fronteira, sem muro. Ah, nessa minha triste caminhada, Vi também um velho a acariciar a estrada Há tanto tempo por ele estudada Para fugir a um presente sem futuro. Cansado, sentei-me numa pedra da berma Dessa estrada também minha de estaferma, Para sentir as lágrimas do puto a chorar. Quando meti o choro dele dentro de mim, Inferi e senti com total e mística emoção, Que quanto mais aquele puto chorava, Mais eu, em dobro sentia enfim Que o meu pobre e louco coração, De ardor, de compaixão, rebentava. (Carlos De Castro, In Há Um Livro Por Escrever, em 21-08-2023)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)