Pular para o conteúdo

Frase de Azrael Asael (Tarin Michael)

⁠Estava observando um morador em situação de vulnerabilidade, e vi que, mesmo à margem social, ele tentava expressar uma felicidade. O portal de sua alma — seus olhos — mostrava a tristeza e os vários estigmas que carrega por andar nas ruas. Por ser observador do mundo e de mim mesmo, percebo que, para a ciência, ele é apenas um drogado, um louco, por estar à margem social e por falar sozinho. Para mim, na visão que tenho — mais ligada aos meus conceitos cristãos e espíritas — esse cidadão pode ser uma alma perturbada por espíritos obsessores, ou uma alma de luz que está em sua última encarnação. Não tirei uma conclusão definitiva, mas lembrei de um texto que li: “E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música.” Essa frase, muitas vezes atribuída a Nietzsche. Senti inveja da sua liberdade das amarras sociais.

Azrael Asael (Tarin Michael)

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Azrael Asael (Tarin Michael)

⁠A cada dia me pergunto se sou realmente alfabetizado. Não há explicação plausível para minha falta de cognição. Quanto mais leio, mais percebo que teria que viver no mínimo uns mil anos para começar a compreender o básico de algo! Na História, li algumas coisas e vi que era nés…
Continuar lendo

⁠A cada dia me pergunto se sou realmente alfabetizado. Não há explicação plausível para minha falta de cognição. Quanto mais leio, mais percebo que teria que viver no mínimo uns mil anos para começar a compreender o básico de algo! Na História, li algumas coisas e vi que era néscio. Fui para Pedagogia e descobri que sou energúmeno no que tange à educação. Fui para Geografia, pensando que entenderia a briga da Geopolítica. Tentei Engenharia Química e notei que nunca conseguiria abrir meus olhos para ver o macro, muito menos o mundo micro. Tentei o Direito, achando que seria fácil, apenas leis prontas, mas percebi que falta muito para eu ser alfabetizado! Contudo, são aprendizados que mostram que, quanto mais procuro conhecimento, mais descubro que sou um analfabeto funcional!

⁠Depois, eles não querem que eu crie ódio da burguesia. A música e o autor se cruzam, mesmo estando a anos de distância um do outro: Paulo Freire, na ciência, com A Pedagogia do Oprimido; e GOG, com a música Televisão. Um é teórico; o outro, prático — mas estão unidos pela aver…
Continuar lendo

⁠Depois, eles não querem que eu crie ódio da burguesia. A música e o autor se cruzam, mesmo estando a anos de distância um do outro: Paulo Freire, na ciência, com A Pedagogia do Oprimido; e GOG, com a música Televisão. Um é teórico; o outro, prático — mas estão unidos pela aversão à miséria e à exclusão social do menos favorecido. A burguesia só se preocupa com seus próprios problemas. Infelizmente, o povo ainda não enxerga a gravidade dos problemas sociais que enfrenta para que possa fazer a revolução social. Temos os teóricos da academia científica e os teóricos da rua, que em suas músicas e poesias retratam a realidade de um povo.

⁠O livro As Misérias do Processo Penal é fundamental para compreender o Direito Penal — saber como se constrói a punição do crime. Fala da toga, seu primeiro capítulo, e o último, Além do Direito. É uma explicação do sistema judiciário — nos ensina que o magistrado deve ser um h…
Continuar lendo

⁠O livro As Misérias do Processo Penal é fundamental para compreender o Direito Penal — saber como se constrói a punição do crime. Fala da toga, seu primeiro capítulo, e o último, Além do Direito. É uma explicação do sistema judiciário — nos ensina que o magistrado deve ser um historiador, para analisar todo o processo. Os advogados de defesa e acusação devem produzir suas histórias, para saber quem ganhará ou perderá. A miséria do processo começa nesses atos, que condenarão ou não um homem. Esse homem pode ser inocente ou culpado. A miséria se dá desde o início do processo, ao tentar culpar o inocente. Quando é o culpado, ele só tem a perder — tiram sua humanização, o deixam moribundo. Mesmo após pagar pelos seus crimes, a sociedade é racional, e nunca o aceitará de volta. Quando é condenado, há três formas de punição: a liberdade é o fim do processo; a morte, a incompetência do processo; e a pena capital, que mostra o problema que os legisladores criam — por não elaborarem projetos que transformem a sociedade por meios que a tornem mais amorosa. O crime, ou a delinquência, é a falta de amor social e próprio. A prisão é o início do fim da dignidade do homem. Ela encerra o processo penal, mas tira a dignidade de viver em sociedade.

⁠Não sou muito de expressar sentimentos, mas há sete anos cometi o maior erro da minha vida. Você tinha sido preso, e eu fui atrás, conversei com o policial, implorei para que o soltasse. Fizemos um acordo verbal: eu cuidaria de você. Você foi solto, e eu praticamente obriguei q…
Continuar lendo

⁠Não sou muito de expressar sentimentos, mas há sete anos cometi o maior erro da minha vida. Você tinha sido preso, e eu fui atrás, conversei com o policial, implorei para que o soltasse. Fizemos um acordo verbal: eu cuidaria de você. Você foi solto, e eu praticamente obriguei que fosse direto dormir. Mas o vício falou mais alto. Desceu para comprar um cigarro. Quando o trouxeram de volta, já estava todo espancado. Tinham sido seus próprios amigos — os mesmos que compartilhavam da sua miséria. Levamos você ao hospital, mas por estar tatuado, sujo, fora dos padrões sociais, foi totalmente negligenciado. Nem exame fizeram. Você estava com traumatismo craniano. Mas, por causa da droga no seu corpo, parecia lúcido. Voltou para casa, deitou para descansar… e entrou em coma. E ninguém percebeu. O dia amanheceu, e você seguia “dormindo”. Mas estava convulsionando. Chamamos a ambulância. Quando chegaram e viram seu estado, pediram logo a UTI móvel. Mas quando ela chegou, era tarde demais. Naquele dia, um remorso profundo se instalou dentro de mim. Me perguntei, e ainda me pergunto, se ao tirar você da prisão, não assinei — sem saber — sua sentença final. Lembro das vezes que você aprontou com a minha mãe. Te busquei até na boca de fumo. Te agredi dentro da Cracolândia. A dona da boca me conhecia há anos, e me ligou: — Vem buscar ele, ou eu mesma vou dar uma surra. Mas meu ódio falou mais alto. Fui pessoalmente te agredir. Muitas vezes mandei o pessoal te dar um corretivo, na esperança de que você tomasse juízo. Mas Deus não quis assim. E muito menos você. Hoje, tudo isso virou lembrança. E remorso. E o remorso é o pior sentimento que um homem pode carregar. Em 2018, deixei de ser ateu. Depois de vinte e três anos sem acreditar em nada, fui parar numa igreja. Padre Cairo me viu e disse: — Vejo que você está atribulado… e com ódio no coração. Pediu para rezar por mim. Colocou a mão sobre minha cabeça, e orou. Pediu a Deus e a Santa Luzia que arrancassem aquele ódio, aquela vingança silenciosa que me corroía. Naquele dia, nasceu uma chama minúscula de fé dentro de mim — quase invisível, mas real. E até hoje ela luta para não ser apagada. Peço muito a Deus, à Nossa Senhora e à Santa Luzia que eu nunca perca essa fé. Que meus caminhos não se cruzem mais com o homem mau. E que Deus, sempre, possa estar ao meu lado.