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Frase de AlessandraBenete

O Nó da Gravata Olhei para ele e não vi o homem, vi o nó da gravata. Estava ligeiramente frouxo, um milímetro de desespero pendurado no colarinho engomado. Aquele nó me dizia que ele tinha desistido de ser impecável no meio da tarde. Havia ali uma fresta de humanidade, uma pequena asfixia que ele carregava com elegância. O nó não era de seda, era de medo. Um medo de que, se apertasse demais, a voz não sairia; e se soltasse de vez, o corpo desabaria em mil pedaços de carne inútil. O homem falava sobre lucros, mas o nó da gravata gritava que ele queria apenas deitar no chão e chorar até virar água. Eu não disse nada. A gente não interrompe o silêncio de um nó que luta para não virar forca.

AlessandraBenete

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de AlessandraBenete

Olhar para o outro não é um ato de reconhecimento social, mas de violação mútua. É o momento em que a máscara da civilidade cai e sobra apenas a matéria viva, crua e assustadora do outro — que, no fundo, é um espelho de nós mesmos.
O Devenir-Planta Fiquei parada na varanda olhando a samambaia até que minhas pernas perderam a vontade de andar. Senti o sangue esfriar, ficando verde e espesso, uma seiva lenta subindo pela coluna. Não era sono, era uma paciência vegetal. As folhas da samambaia não esperam por…
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O Devenir-Planta Fiquei parada na varanda olhando a samambaia até que minhas pernas perderam a vontade de andar. Senti o sangue esfriar, ficando verde e espesso, uma seiva lenta subindo pela coluna. Não era sono, era uma paciência vegetal. As folhas da samambaia não esperam por nada; elas apenas estão. Comecei a entender que o pensamento é uma agitação inútil do bicho-homem. Eu queria ser apenas clorofila e vento. Queria que o sol me comesse a pele até que eu não tivesse mais um rosto para apresentar aos outros. Ser planta é a maior forma de aristocracia: é existir sem precisar de um porquê. No final da tarde, eu já não tinha nome. Eu tinha apenas sede.