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Frase de Marcelo Caetano Monteiro

ABRAHAM LINCOLN ERA ESPÍRITA? Abraham Lincoln (1809-1865), décimo sexto presidente dos Estados Unidos, figura incontornável na história política e moral da humanidade, conduziu seu país através da mais grave de suas crises — a Guerra Civil Americana preservando a União e abolindo a escravidão. Sua vida, marcada por provações íntimas, perdas familiares e profundos dilemas éticos, transcende a imagem de estadista austero e revela, em dimensões menos exploradas, o homem interior o ser em constante busca da verdade espiritual. Contudo, muito do que se escreveu sobre Lincoln relegou ao silêncio o aspecto mais sublime de sua personalidade: o homem espiritual, místico e intuitivo, cuja vida interior parecia orientada por forças superiores que o inspiravam em meio ao caos da guerra e às sombras da política. Diversos biógrafos e pesquisadores entre eles Ralph E. Morrow (Spiritualism and American Culture, 1848-1930, 1960) e Nettie Colburn Maynard, médium americana que conviveu com Lincoln e relatou suas experiências no livro Was Abraham Lincoln a Spiritualist? Or, Curious Revelations from the Life of a Trance Medium (1891) atestam que o presidente participou de reuniões mediúnicas na Casa Branca. Essas sessões, realizadas com a presença de sua esposa, Mary Todd Lincoln, e de amigos próximos, teriam impressionado profundamente o presidente, que via nessas manifestações uma confirmação de que “o invisível se interpunha nas decisões humanas”. Mary Lincoln, abalada pela morte de seus filhos Eddie e Willie, buscou consolo nas práticas espiritualistas que, na época, floresciam nos Estados Unidos sob a influência direta das manifestações de Hydesville (1848), as mesmas que inauguraram a era moderna do Espiritismo codificado por Allan Kardec, na França, em 1857. Em carta reproduzida por Maynard, Lincoln teria dito, após uma dessas sessões: “Há mais coisas entre o Céu e a Terra do que a vã filosofia de nossos sábios pode admitir.” (Essa frase, embora adaptada de Shakespeare, expressava a percepção espiritual que amadurecia no presidente.) Segundo registros históricos, Lincoln demonstrava frequentemente um senso de premonição e uma relação íntima com o invisível. O historiador Carl Sandburg, em Abraham Lincoln: The Prairie Years (1926), narra o episódio em que o presidente relatou ter visto, refletida em um espelho, a própria imagem duplicada uma nítida, outra pálida interpretando-a como sinal de que não viveria para completar seu segundo mandato. Esses fenômenos, longe de serem meras coincidências, alinham-se aos princípios expostos por Allan Kardec em O Livro dos Médiuns, cap. XIV, onde o Codificador observa que: “A presciência de certos acontecimentos pode provir de uma comunicação espontânea do Espírito protetor.” (KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de José Herculano Pires. São Paulo: Edicel, 1979, cap. XIV, item 164.) Lincoln, portanto, não era apenas um político dotado de rara lucidez moral, mas um homem sensível à influência dos Espíritos, consciente de que sua missão ultrapassava a lógica dos interesses humanos. Embora jamais tenha se declarado espírita o que seria improvável, dada a recente difusão da Doutrina à época , seus pensamentos e experiências convergiam com os postulados essenciais do Espiritismo: a imortalidade da alma, a comunicabilidade entre os mundos e a lei de progresso que rege os destinos humanos. Léon Denis, sucessor moral de Kardec, escreveria mais tarde em O Problema do Ser, do Destino e da Dor: “Os grandes homens são os instrumentos de Deus, e a inspiração que os visita em momentos decisivos é a voz do Alto que os dirige.” (DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Tradução de João Lourenço Rodrigues. FEB, cap. XXV.) À luz dessa visão, Lincoln surge não apenas como o libertador dos escravos, mas como um médium de consciência, canal de ideias superiores que visavam emancipar não apenas corpos, mas almas. Seu senso de dever moral, sua compaixão e suas experiências espirituais o aproximam mais de um discípulo da Verdade do que de um simples político. Em uma frase atribuída a ele, encontramos a síntese de seu espírito: “Quero estar ao lado de Deus, porque Deus está sempre do lado do que é justo.” Palavras que ecoam, com a mesma serenidade evangélica, o ideal de Jesus e o pensamento espírita que proclama: “O verdadeiro homem de bem é o que pratica a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza.” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XVII, item 3 — tradução de José Herculano Pires.) Assim, se a pergunta permanece “Abraham Lincoln era espírita?” — a resposta talvez não se encerre em rótulos ou filiações formais, mas na essência: ele viveu segundo princípios espirituais que o aproximaram da Verdade que o Espiritismo veio codificar. Sua trajetória, impregnada de intuição, resignação e coragem moral, faz-nos reconhecer que o estadista de Springfield foi, acima de tudo, um médium da liberdade, um servidor da luz e um mensageiro da justiça divina na Terra. Referências: KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Trad. José Herculano Pires. São Paulo: Edicel, 1979. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. José Herculano Pires. São Paulo: Edicel, 1978. DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Trad. João Lourenço Rodrigues. Rio de Janeiro: FEB, 1975. MAYNARD, Nettie Colburn. Was Abraham Lincoln a Spiritualist? Or, Curious Revelations from the Life of a Trance Medium. New York: Rufus C. Hartranft, 1891. SANDBURG, Carl. Abraham Lincoln: The Prairie Years. New York: Harcourt, Brace and Company, 1926. MORROW, Ralph E. Spiritualism and American Culture, 1848–1930. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1960.

Marcelo Caetano Monteiro

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Marcelo Caetano Monteiro

" Quem faz e erra aprende mais rápido do que quem apenas observa e aponta falhas. "