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Frase de Anônimo

⁠Como é que uma coisa pode ser boa e ruim ao mesmo tempo? Eu tenho uma história sobre isso: Num devaneio noturno, te vislumbrei saboreando mel, vertendo o néctar doce, direto do favo. Tua boca, escancarada e apontada ao alto, a língua pra fora, como um convite ao êxtase profundo. Não resisti e desbravei tua garganta com a minha língua, papila a papila, provando a textura grossa que te escorria como uma cola e que unia, minha vida no calor do teu hálito. Mil abelhas me cercavam e dançavam em minha barriga e um zumbido me alertava sobre o perigo de beber do que não era meu: o precioso produto que pertence a elas. Sem temor aos ferrões, provei do néctar que escorria do teu queixo para o pescoço, explorando do peito até as coxas. Gotejava espesso o mel da ponta da língua, nos teus dedos com calos, no teu colo, calado. O líquido em mim pesava, vertendo em um jorro infinito. Tudo no sonho era mel, entrelaçado em um encanto, permeando cada recanto do meu desejo. E na sinfonia de sentidos, o zumbido voltou e ecoou mais alto, mais forte, diretamente no ouvido, ensurdecedor. O ferrão então me cravou na garganta, engasguei e com dor: acordei. Sem mel, sem meu, sem seu, sem céu. Sem nada. Somente a latejante sensação da picada de um sonho que eu não podia sonhar, e o gosto de fel de querer o que não é pra se ter. Como é que uma coisa pode ser boa e ruim ao mesmo tempo? Assim. Eu aprendi minha lição: que sonho só dura o tempo do sono e que é melhor ficar longe das abelhas

Anônimo

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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