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Frase de Gabriel Chalita

FÓRUM REGIONAL No poema O Guardador de Rebanhos, Fernando Pessoa já ressaltava a importância de valorizarmos a beleza do rio de nossa aldeia em detrimento dos rios de todo o mundo. O autor do clássico Mensagem nos oferece uma lição de vida essencial: lançar um olhar atento para o particular e, só depois, apreciar o universal. E é justamente essa a proposta do Fórum Regional Governo Educador, evento que tem início este mês na cidade de Álvares Machado, no interior de São Paulo. O encontro terá seqüência em mais dez municípios paulistas, como desdobramento do primeiro fórum ocorrido no mês de março, na Capital. O objetivo desses encontros é mostrar às lideranças municipais os programas que o Estado oferece à educação de crianças e jovens, de modo que sejam analisadas as possibilidades de parceria para ampliação dessas ações e implementação de novas idéias para desempenho conjunto. Com isso, beneficiaremos educadores, aprendizes e agentes sociais que trabalham em prol da educação. Nesse sentido, São Paulo tem sido um exemplo para o País. É o que vemos por meio dos resultados obtidos pelo Programa Escola da Família, desenvolvido com a Unesco, o Instituto Ayrton Senna e o Faça Parte Instituto Brasil Voluntário. A eficácia do programa pode ser comprovada pela grandeza de seus números. Em menos de dois anos, o Escola da Família já registrou quase 100 milhões de participações entre educadores, voluntários e estudantes. Todos têm acesso a atividades culturais, esportivas e pedagógicas desenvolvidas nas escolas nos fins de semana. Estamos convictos de que as unidades educacionais das redes municipais só terão a ganhar se forem integradas a essa iniciativa. Caberá à Secretaria de Estado da Educação atuar como instituição multiplicadora dessa proposta, oferecendo sua experiência para transformar novas escolas em palco para a formação integral de seus alunos. O governador Geraldo Alckmin não cessa de dizer e de mostrar que a educação é uma questão prioritária, que deve pairar acima das bandeiras partidárias e dos interesses individuais. Nessa crença sustentamos nosso desejo de trabalhar com os municípios do Estado de maneira conjunta e, para isso, temos o respaldo positivo de experiências anteriores. Em 2004, mais de 5 mil professores de educação infantil e das primeiras séries do ensino fundamental - de 41 municípios - das redes municipais do Estado que ainda não tinham formação acadêmica conseguiram seu primeiro diploma universitário por meio do Programa de Educação Continuada (PEC Municípios). Outro exemplo de parceria pode ser visto na melhoria da estrutura física dos prédios escolares, propiciada pelo Programa de Ação Cooperativa Estado/Município para Construções Escolares PAC. Nos últimos anos foram investidos quase R$ 300 milhões em obras. Já o acesso dos estudantes às escolas também será ampliado com o acréscimo de mais 300 microônibus que serão disponibilizados às prefeituras. Buscamos oferecer oportunidades para a formação ininterrupta dos educadores em suas regiões. Para isso, transformamos as 89 diretorias regionais de ensino em pólos de capacitação. Outro programa que sintetiza o espírito dessa valorização dos professores é o Bolsa-Mestrado, que fornece aos docentes a possibilidade de dar continuidade aos estudos acadêmicos financiados pelo governo do Estado. Já é grande o grupo de professores da rede que ganharam bolsas para estudar em outros países, como Espanha, Portugal e Inglaterra. Nesse contexto, convidamos a todos para esses eventos que, esperamos, sejam históricos. Encontros que poderão nos oferecer as diretrizes para os caminhos mais promissores da educação de qualidade neste que é o maior Estado da Federação. Estado que tem de dar o exemplo e seguir o norte indicado por Fernando Pessoa. O norte que nos conduzirá às belezas e aos desafios instigantes existentes no rio de nossa aldeia. Publicado nos jornais Vale Paraibano, Jornal da Tarde e Correio Popular

Gabriel Chalita

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Gabriel Chalita

O outro não é uma coisa que existe para nos servir. Ninguém é coisa de ninguém.
Febem - Um desafio possível Paulo Lins, autor do romance Cidade de Deus - sucesso adaptado com genialidade por Fernando Meirelles para as telas do cinema -, captou com maestria a realidade cruel e dolorosa de crianças e jovens que, corrompidos pelo meio (leia-se ausência total d…
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Febem - Um desafio possível Paulo Lins, autor do romance Cidade de Deus - sucesso adaptado com genialidade por Fernando Meirelles para as telas do cinema -, captou com maestria a realidade cruel e dolorosa de crianças e jovens que, corrompidos pelo meio (leia-se ausência total de oportunidades, incentivo, educação e estruturação familiar), ingressaram no universo da marginalidade e da violência. O mesmo teria acontecido, provavelmente, à pequena e indefesa "Negrinha", personagem imortalizada pelo conto homônimo de Monteiro Lobato, caso a menina tivesse nascido no final do século 20, longe dos resquícios da escravidão das fazendas, mas próximo à escravidão social dos ambientes urbanos. Mais uma vez, a ficção - seja literária, seja cinematográfica - nos dá uma lição de vida imprescindível: ou a sociedade compreende a necessidade premente de romper o ciclo vicioso da criminalidade ou estaremos condenando o futuro do Brasil e do mundo de forma irreversível. Somente a mobilização social, por meio da união de esforços entre governos e demais instituições da sociedade civil organizada, pode reverter o rumo caótico que os acontecimentos vêm tomando. Em todo o mundo, os altos índices de violência, que agora se expandem em ritmo acelerado das metrópoles em direção às cidades do interior, compõem um quadro dramático cujos desenhos dantescos nos convidam à tomada de ações imediatas. Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin demonstrou total sintonia com a urgência dessa situação. Por meio de uma atitude corajosa e inovadora, integrou a Febem aos quadros da Secretaria de Estado da Educação, uma iniciativa fundamentada sobre os pilares de um conceito básico para a recuperação dos adolescentes em conflito com a lei: a ressocialização via aprendizado, preparo psicológico, acesso à informação, à cultura, ao esporte e ao lazer. Um método que resulta na aquisição da auto-estima e da autoconfiança, provenientes da descoberta gradativa dos talentos e das potencialidades dos educandos - da mesma forma que deve ocorrer com os alunos do ensino regular, nas escolas. Assim é que se adquire consciência crítica, capacidade de discernimento e, enfim, se constrói a cidadania. É essa a nova proposta da Febem, totalmente condizente com os projetos e ações da Secretaria de Estado da Educação. Temos um enorme desafio pela frente. E, para que possamos superá-lo de forma eficaz, precisaremos do apoio, do incentivo e da colaboração de todos os segmentos sociais. Nesse sentido, gostaríamos de convidar empresas, ONGs, igrejas, universidades e demais instituições para nos auxiliar na missão instigante que é reescrever o roteiro desse filme grandioso e, por isso mesmo, complexo em toda a sua estrutura. Se assumirmos os papéis de diretores, cenógrafos e produtores que essa grande obra requer, poderemos mudar a história de milhares de jovens atores que necessitam de uma orientação mais cuidadosa na concepção, na criação e, finalmente, na concretização de cenas que viabilizem finais mais felizes para suas vidas reais. A ampliação dos programas de liberdade assistida e a construção de unidades menores da Febem, tanto na Capital quanto no Interior, privilegia essa nova realidade e tem possibilitado às equipes da instituição a realização de um trabalho mais produtivo e bem-sucedido, capacitando esses jovens e transformando-os em protagonistas aptos a exercerem sua plena cidadania. Milhares de jovens atores estão aprimorando suas habilidades por meio de aulas do ensino regular e profissionalizante, diversas oficinas de arte, cultura (teatro, dança, artesanato) e, ainda, 32 modalidades esportivas que abrangem do futebol ao xadrez. E isso é só o começo. De nossa parte, garantimos total dedicação e empenho para dar a este enredo um desfecho verdadeiramente alegre, bem diferente dos finais da maioria dos personagens da obra de Paulo Lins e da protagonista do conto de Lobato. Acreditar que é possível é essencial. Vamos seguir à risca a cartilha de Victor Hugo - outro grande ficcionista que retratou em seus livros as injustiças e problemas sociais de seu tempo - que já alertava: "Nada melhor do que um sonho para criar o futuro". Publicado no jornal Diário de S.Paulo