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Frase de Marcos Satoru Kawanami

⁠COVEIRO Mudei-me para o bairro do pé junto, lugar calmo e de muita urbanidade, porém recanto morto da cidade, pois, pra vizinho, tenho só defunto. Eu mesmo me respondo se pergunto, e, sem por que falar amenidades, já penso com maior profundidade, comendo pão de queijo com presunto. Coveiro sou, estou a edificar um bairro para baixo, nos canteiros onde todos irão se aconchegar. Sou construtor dos lares derradeiros, e vou cavando sem me preocupar, pois nunca fiz enterro de coveiro... Marcos Satoru Kawanami

Marcos Satoru Kawanami

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Pensador.com

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FÁBULA DO FUTEBOL A bola vai rolar em campo aberto sem linhas demarcando esta partida de futebol sem árbitro e torcida, mas eu, só de bobeira, estou por perto. E vejo que rolou a bola, certo da alegre apoteose sem medida que o gol ensejará em minha vida, mantendo a vista atenta, fico esperto. Jogadas de espetáculo circense empolgam-me no início, estou contente, com ânimo de time que só vence. Depois, eu torço feito um penitente, mas que jogada heroica há que compense um campo de traçado e gols ausentes?

AVE MARIA PÓS-MODERNA A luz que passa pelo cristalino dos olhos chega ao fundo cerebral
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AVE MARIA PÓS-MODERNA A luz que passa pelo cristalino dos olhos chega ao fundo cerebral recomposta em elétrico sinal diverso do universo extra-tino. A taça diz que “veritas in vino”, em forma inversa, imagem espectral vertendo na retina uma anormal verdade aceita por qualquer menino... Talvez o impulso elétrico reflita externamente apenas algo novo e tão antigo quanto a luz bendita no céu de cada qual de cada povo cujo drama tem sido a mãe aflita dos elétrons por quem eu me comovo.

CARAVANA Eu sei que não saber não dá ciência, a mim, do que não sei, sabendo ou não,
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CARAVANA Eu sei que não saber não dá ciência, a mim, do que não sei, sabendo ou não, de tudo que, com lógica e razão, conheço e sei que sei, por evidência. Conduz-me tosca mão, rapaz prudência, contudo, se é o saber a devoção à qual, estulto, entrego o coração no torpe turbilhão das aparências... Pondero que não há que mais saber, nem houve nunca, desde aquele pomo, que vem se deglutindo sem querer. A bem desses milênios, quê hoje somos além de caravana a percorrer o espaço numa busca do que fomos?