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Frase de Filipa Passos

⁠A porta da Igreja De São Gonçalo está fechada. Não poderei adorar o Meu Jesus tão cedo. Lá terei de esperar e desesperar. Toca o sino. São 12h30. Há silêncio no adro da Igreja. Onde estão as crianças? Vejo um cão a chafurdar na terra. Mais ninguém. Alguns carros apressados cujos condutores conversam amenamente. É Domingo. O dia do Senhor – 17 de Julho de 2022 – Festa do Santíssimo Sacramento na Igreja de São Gonçalo, no Funchal. Por detrás de mim, mulheres chorosas com coroas-de-Henrique visitam os seus entes queridos que dormem em paz na “Quinta dos Calados”, a quinta que ninguém gosta de lá pernoitar e os que lá habitam jamais poderão sair com o seu próprio pé. À minha frente, contemplo o azul do mar no horizonte. Escrevo a lápis com apoio de uma capa de elásticos semidura que contém os meus currículos. Levo-os sempre comigo na esperança de obter um emprego anunciado numa simples vitrine. Nunca obtive qualquer resposta dos mesmos…certamente, irão para o recetáculo de lixo mais próximo…quem diria?! Depositado numa vasilha onde se reúnem coisas provenientes de diferentes origens. Ali, estou eu, sepultada, profissionalmente e academicamente. Mais uma badalada. São 13h. Silêncio sepulcral. Despeço-me do tempo com um até breve.

Filipa Passos

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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⁠Sou uma agricultora literária.