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Frase de Carlos Alberto Silva

⁠O que o vírus nos fez Já tínhamos problemas demais. Adentrávamos o ano de 2020 arrastando nossos problemas sociais e econômicos, e ainda praguejando contra 2019, repleto de mortes e tragédias. Foi quando o vírus se anunciou. De distante e improvável, rapidamente tornou-se real e assustador. Devíamos saber o que fazer, afinal era uma peste, já tivéramos muitas, e nunca nos derrotaram, pois estamos aqui agora. Não foi o que aconteceu. Vivemos a era da pós-verdade, em que crenças e boatos assumem o lugar dos fatos e fontes confiáveis. Não há juiz, não há mediador. Desacreditamos nossos mestres em nome do que nos agrada e que pretendemos ser verdadeiro. Então, usamos nossas estratégias: banalizamos e politizamos o vírus, tentamos desmoralizá-lo. Não funciona com ele. O vírus não se importa com a nossa opinião. Ele é mediador e juiz do conflito que nos impõe. E fez o que sabíamos, ou deveríamos saber, que faria: atacou-nos mortalmente, destruindo milhares de vidas e famílias, sem se importar se acreditamos que foram muitas ou poucas. O pior que ele fez, porém, e não me entendam mal, não foi atacar o nosso corpo, mas a nossa alma. O vírus nos conheceu melhor do que o conhecemos, e nos deu o que queríamos: não gostamos de estar próximos uns dos outros, e ele permitiu que nos afastássemos; não gostamos de nos tocar, e ele permitiu que não nos tocássemos; gostamos de culpar os outros e dizer como deveriam agir, e ele nos permitiu que assim fizéssemos. O vírus nos permitiu ser ausentes e sem culpa, deselegantes e mal educados, sem que tivéssemos que nos desculpar. Logo vamos derrotar o vírus, com muitas e irreparáveis baixas. Mas ele permanecerá em nós, ainda que jamais o tenhamos compreendido. E receio que não voltaremos a estender as mãos e nos tocar. É possível que continuemos a ostensivamente manter distância e, até mesmo, usar a máscara, que nos protege uns dos outros e esconde o constrangimento ou o contentamento diante da nossa própria atitude. Assim faremos, e sob uma nova norma social, esse comportamento será aceito. Foi isso o que o vírus nos fez. Ele nos dominou. Misturou-se a nós e, em um processo de simbiose, fundiu-se a nós, transformando-nos no monstro que habita a nossa própria personalidade. Em breve, teremos uma vacina para o corpo, mas a alma, essa terá que se curar sozinha.

Carlos Alberto Silva

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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⁠Boas atitudes passam despercebidas todos os dias. Silenciar, ser discreto, evitar um conflito ou a maledicência são atos que deveriam ter o reconhecimento de todos, mas não é assim que ocorre. Por outro lado, a maldade, a grosseria e a mesquinhez chamam a atenção facilmente, e fazem parecer que existe menos bondade no mundo.