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Frase de Maria Lúcia Alvim

⁠Aquele que um dia fará o meu caixão Aquele que um dia fará o meu caixão de antemão tem as medidas: menina-carapina surrupiando Viu crescer, prometer, viu sazonar. Quando o roxo dos ipês configurou-se no horizonte aquele que fará o meu caixão numa cestinha depôs amor e morte Lasca por lasca fava por fava fui pedindo, fui rasgando, fui doando lóbulo mindinho esses rajados de pele, esses crestados o estalido da cabiúna O galo alvorescente dourou

Maria Lúcia Alvim

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com | Fonte: Batendo Pasto. Belo Horizonte: Relicário, 2020. | Nota de autoria: A autoria desta frase foi verificada pelo Pensador.com.

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⁠Aquavia Como a fonte que jorra, ambivalente, marejados de sono, navegamos – que esse rio de amor e de abandono seja leito comum para quem morre. Impelidos à margem da corrente sacudimos a tarja temporária - e a alma se evapora: tarlatana sobre a nossa nudez contraditória. Na umidade do riso, no desejo impreciso e profuso, pelo pranto que no calor das órbitas poreja, Ah, transidos de frio, patinamos entre quiosques, domos e coretos sem nada surpreender ou consumar.

⁠XIV Quisera tanto que durasse qualquer desejo em qualquer dia
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⁠XIV Quisera tanto que durasse qualquer desejo em qualquer dia que mesmo sendo em demasia eu deles nunca me fartasse; assim enquanto não houvesse nada mais que vos sugerisse então que a vida ressurgisse e só desejos refizesse; porque deixei vossa verdade ó coisas já feitas de espera quando sempre tudo soubera tão cheio de realidade; pois bem sei que ando consumida mas por desejos que são vida.

⁠Cantiga de roda Eu era assim no dia dos meus anos E quando me casei, eu era assim
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⁠Cantiga de roda Eu era assim no dia dos meus anos E quando me casei, eu era assim Eu era assim na roda dos enganos E quando me apartei, eu era assim Eu era assim caçula dos arcanos E quando me sovei, eu era assim Eu era assim na voz dos minuanos E pela primavera, eu era assim Enquanto fui viúva, eu era assim Enquanto fui vadia, eu era assim E pela cor furtiva, eu era assim No amor que tu me deste, eu era assim E trás da lua cheia, eu era assim E quando fui caveira, eu era assim

⁠Mágico Desafio Um filho não deveria ser feito
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⁠Mágico Desafio Um filho não deveria ser feito para cumprir mandamentos, para povoar a solidária solidão de pares amorosos, improvisados e mesmo contrafeitos — o filho, quando concebido seria para provar apenas isto: a matéria ou mistério ou vida desafiando o pensamento.