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Frase de Bruna Marquezan Silv

Os pássaros de Brasília Certo dia, eu caminhava pela mata virgem que existe cerca da minha casa. Pássaros tamborilavam em ritmo de uma canção desconhecida de roça. Um deles, aparentemente o líder, separou-se do grupo e voou até uma árvore distante, pousando no mais baixo dos galhos. Ele parecia não gostar da canção que seu bando entoava; talvez ela fosse simples demais para seus ouvidos modernistas, ou exacerbadamente complexa a seus olhos de Brasil contemporâneo. Sentada em um banco florido de madeira desgastada pelo tempo, eu não conseguia retirar do meu campo de visão aquele interessante ser, que devagar começava a assobiar uma nova canção. Foi então que enxerguei nele um espírito renatista, russo-brasileiro, transbordando os enlouquecidos pensamentos sobre uma certa geração coca-cola. O trovador solitário se juntou a outros pássaros loucos como ele, formando uma Legião que pairava em cada alma revolucionária deste país da Brasília que não muda.

Bruna Marquezan Silv

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Pensador.com

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Outras frases de Bruna Marquezan Silv

Armadilha Um choro silencioso na cozinha Você a dois passos de mim
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Armadilha Um choro silencioso na cozinha Você a dois passos de mim Mas a distância emocional que nos separa é tal qual o espaço entre os dois trópicos da Terra. Você, trópico de Câncer, clima seco, terra firme, grandes desertos. Olhar de quem sabe que domina sem precisar se esforçar muito pra isso. Eu, Capricórnio, chuvas, sol e calor, florestas e savanas. Entrega de alguém que não tem luz própria. Fotossíntese sempre foi o meu forte. Você é meu sol, estrela inconstante, distração brilhante que me faz voltar pra casa. Eu voltei, mas era uma armadilha. Nessa casa, nessa cozinha Estou com você e estou sozinha Te vejo apagar o cigarro, pressionando-o contra o cinzeiro. O mesmo fez comigo. Só restam as cinzas. O pior é que sempre conheci suas artimanhas. Sabia que era um golpe e me permiti cair. E mais ainda: não me arrependo, porque parece que me vale o sofrimento quando te ouço mentir que me ama. Você continua me olhando em silêncio, gelando-me a face com os olhos, enquanto eu, covarde, prefiro não encontrar os teus. Medo doentio que me impede de reagir a você. Seus lábios, como que lendo meus pensamentos e ainda soltando a fumaça do cigarro que acabara de morrer, balbuciam que seu amor é verdadeiro como quem diz o preço de um produto do supermercado. Mentira. Você mente, eu acredito. Então, diminuindo a distância entre os trópicos, eu cruzo a linha do Equador e te abraço, envolvendo meus braços quentes em seus ombros congelantes. Eclipse total. Você me escurece, mesmo assim, eu permaneço. E ainda não terminei de cair em sua armadilha.

Mudar de ideia Bebemos a última taça de vinho. Tarde da noite, os convidados já estão indo embora, mas eu teimo em ficar um pouco mais. Quero sutilmente olhar nos seus olhos e tentar responder a algumas perguntas que me dominam a mente. - Já é tarde e ele precisa dormir- diz min…
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Mudar de ideia Bebemos a última taça de vinho. Tarde da noite, os convidados já estão indo embora, mas eu teimo em ficar um pouco mais. Quero sutilmente olhar nos seus olhos e tentar responder a algumas perguntas que me dominam a mente. - Já é tarde e ele precisa dormir- diz minha consicência. Eu me despeço de você, e meus pés caminham até a porta, ouvindo uma razão que eu insisto em ignorar. Não quero ir embora. As memórias roubam o espaço do turbilhão de pensamentos que me fazem companhia nesta noite... o seu riso exagerado das piadas sem graça dos seus amigos, a alegria em receber cada um deles na sua casa, o olhar curioso que você sempre me dirige, e por fim, a lembrança mais especial que tenho de hoje: eu te tomei em meus braços e dançamos ao som imaginário de uma orquestra. Acabei descobrindo que você é um ótimo dançarino. Eu queria ter dançado a noite toda, só pra sentir a sua mão entrelaçada à minha, nossos corpos tão próximos, a batida mágica do seu coração. E após a dança, tiramos fotos que estamparam a felicidade que você me causa. Nunca me senti assim antes. Com ninguém. Afinal, somos amigos ou mais que isso? Por favor, me responda a pergunta que em silêncio te faço. Estou indo embora, mas se seu coração deseja o meu assim como minha boca ardentemente pede pela sua, eu vou mudar de ideia.

Vem, chega mais perto Vem, chega mais perto. Tira o casaco, tá calor. Pode colocar na maçaneta da porta.
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Vem, chega mais perto Vem, chega mais perto. Tira o casaco, tá calor. Pode colocar na maçaneta da porta. Senta, fica à vontade, não repara a bagunça. Aceita uma água? Um refresco? Quer um cafezinho? Acabei de passar. Vem, chega mais perto. Eu não mordo. Eu beijo, abraço e faço cafuné. Faço pilates e dança do ventre. Também faço frango e lasanha de carne. Faço a unha e massagem no pé. Faço charme e faço amor. Vem, chega mais perto. Que prazer te conhecer! Você é diferente e tão igual ao mesmo tempo. É doce, é astuto. Tem segredos e verdades. Você é um mistério fascinante. Fala tudo e ao mesmo tempo não diz nada. Já começo a sentir medo de você. Medo de ser só um passo fora. Alguém que entra, toma uma água e logo diz que tem que ir. Fica mais um pouco, vai? Vem, chega mais perto. Olha só minhas mãos trêmulas Pode tocá-las, elas esperam por isso Pode até dar um beijo se quiser Olha só o meu sorriso, ele é dado por você Pode sorrir de volta que eu vou adorar Pode dar um beijinho também Pode se apaixonar, eu deixo. Vem, chega mais perto.

No silêncio do meu quarto É no silêncio do meu quarto que me transformo em palavras. Às vezes, meu caro amigo, meu desejo não passa de aspirações literárias, poéticas talvez, românticas sempre.
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No silêncio do meu quarto É no silêncio do meu quarto que me transformo em palavras. Às vezes, meu caro amigo, meu desejo não passa de aspirações literárias, poéticas talvez, românticas sempre. Sou um romantismo em botão. Tenho alma de poeta clássico e coração de donzela sonhadora. Conheço os doces e amargos do sentimentalismo nato, e já fui provedora de todos eles. E também, vez ou outra, quando me abasta a solidão cabível ao pungente e lascivo transcorrer do tempo, eu me ponho a combinar palavras, formar versos, montar textos que quiçá traduzam o que sinto. Tenho no papel um confidente perfeito, com quem compartilho angústias e alegrias sem medo de ser subjugada. Ele apenas retém os meus sentidos, e isso já me basta. Quero fazer conhecer a quem, um dia, porventura, venha ser leitor de meus escritos, que sou a mais sensível e suave das mulheres, me desmancho pelo toque, me recomponho pelo olhar, sou artista e plateia ao mesmo tempo; amante e amada. Recebi do Criador a aflitiva missão de apenas amar, e dela não me queixo, nem me seria digno apontar um quê de reclamação. É doce morrer de amor.