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Esse tal Senhor Tempo
Ah, esse senhor que não domamos. Esse tal senhor Tempo
Esse ser que não tocamos.
Esse alguém que simplesmente vem,
E passa por nós, sobre nós.
Um desconhecido que chega à meia-noite.
Sem aviso prévio. Um intruso.
Inflexível. Implacável. Invulnerável.
Era passado, fez-se presente e já é futuro.
Por que o tempo passa?
Mas se não passasse não seria tempo!
Seria um contratempo!
Por que não o contrário?
Nasceríamos velhos, ficaríamos crianças,
pequeninos, inocentes e morreríamos bebê,
Sem nada saber…
Sim, esse senhor parece voar,
como a águia, como o pensamento.
Parece intocável, como sonhar.
Vai em qualquer direção como o vento.
Começamos a morrer no segundo seguinte,
Logo que nascemos, dizem.
Que paradoxo. Que dicotomia. Que ironia.
Vir e partir. Nascer e perecer.
Em cada novo alvorecer,
Usando cada segundo desse tempo,
Ao meu Salvador quero engrandecer.
O Pão do Céu será meu alimento.
E como um vaso imperfeito,
Que o Oleiro faça em mim um novo advento.
E o ser que eu era seja refeito,
Mesmo diante do inexorável tempo.
E a cada novo amanhecer,
Quero anunciar de voz e de coração:
"Bendirei o Senhor o tempo todo!
Os meus lábios sempre o louvarão".