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Frase de Faze em Mim Tua Vontade, Camille Monfort

(página solta, sem data, do manuscrito jamais finalizado) As paredes não falam. O teto range. O chão me reconhece — como se já me esperasse há séculos. E de fato, esperava. Pois sou feito dessa espera. Sou o vulto que atravessa corredores de casas sem nome. Sou o passo que retorna sempre ao mesmo degrau onde tu, Camille, foste ausência e juramento. Disse-me o silêncio: “Ela não virá.” Mas eu conheço tua forma de vir: É quando a dor se torna bela. É quando a sombra assume feição de vestes esvoaçantes. É quando uma lembrança toca minha nuca como sopro — e não há vento. Eu sou só. E isso me basta, Camille. Porque o que me basta não é viver... É te carregar onde ninguém mais entra. Faze em mim a tua vontade. Se quiseres que eu enlouqueça — enlouqueço com dignidade de mártir. Se desejares meu silêncio — calo como um sino afogado em cera. Se queres que eu escreva — escrevo com o sangue dos sonhos interrompidos. Mas não me peças que te esqueça. Isso não sou. Tu és a cruz que não sangra, o vinho que nunca embriaga, o leito onde a morte se recusa a deitar-se. Camille Monfort, minha dama da noite que não amanhece: Faze em mim tua vontade. Faze de mim um relicário, um espelho partido, um véu sobre o corpo de ninguém. Porque, mesmo entre mundos, mesmo no exílio das estrelas apagadas, eu te amo com a força de quem aceita o destino de nunca ser tocado — mas de sempre pertencer.

Faze em Mim Tua Vontade, Camille Monfort

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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