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Frase de Carlos Humberto Pena

POEMA DAS PALAVRAS AUSENTES Hoje, embebedado de sentidos, resolvi escrever sobre você. Quis narrar como sua beleza agressiva furta toda a atenção e como seu olhar está sempre a pedir um afago e breguices de amor, que adoro dizer ao seu ouvido. Decidi descrever como seu desajeito é todo complexo, querendo ser companhia para o meu descompasso. Quis divulgar como suas curvas delicadas revelam desejos meus e se exibem de maneira solar à meia-luz. Cambaleei entre palavras relembrando como seu sorriso me traz um futuro bom e como tenho em mim uma tempestade de você. Recordei cada instante, todo o tempo, calando meus versos, por breve momento. Percebi que para você nenhum verso é decente e que palavras não seriam suficientes. Para falar de você minha poesia deveria ter o cheiro da primavera e a tenuidade de uma manhã de inverno; teria de ser bela como um pôr-do-sol sobre o mar e quente como um abraço de saudade. Pediria a transparência da água de uma nascente e a pureza de lugares desconhecidos. Para falar de você minha poesia deveria ter o gosto ingênuo das nuvens. Não bastaria uma canção, seria necessário compor uma sinfonia. Eu teria de divulgar segredos – sagrados segredos – que te fizeram assim: tanto! Para falar de você eu teria de desvendar o encanto que nos cerca e que nos uniu: teria de justificar o incompreensível. Por isso, para você eu escrevo sem palavras e te dedico um silêncio profundo, porque só o silêncio pode falar quando as palavras não podem descrever.

Carlos Humberto Pena

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Pensador.com

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Eu creio na meiga canção que sopra da aurora E que ecoa na última lágrima de despedida Eu creio com a mesma fé das árvores Que se alimentam da solidão das horas