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Frase de Ricardo Cardoso

NEM TUDO QUE BRILHA É SOL Há dia em que acordamos com os primeiros raios de sol brilhando na janela, os pássaros em um bailado de sons, orvalho brilhando entre as flores. E na solidão do meu carro, em meus próprios pensamentos, entre um semáforo e outro, a espera por um verde brilhante, e por um instante em um desvio de pensamentos, crianças dançando entre os carros, pés descalços, fuligens do asfalto, cabelos embaraçados, rostos miúdos, crianças malabaristas do asfalto, com os olhos brilhando a espera da moeda. Moeda! Moeda brilhante que a índia com seu filhinho mendigam na esquina, um indiozinho de pele vermelha, mãos pequenas a espera de algo, O que! Nem ele sabe, ah se soubesse que á quinhentos anos sua família já fora dona desta terra chamada Brasil. Ah, se ele soubesse! O que o homem fez com o homem, escravizou, matou em nome da fé, tomaram sua vida, seu rio, seu peixe, sua dignidade, em troca de desculpa, lhe ofertou uma homenagem “O dia do Índio”. Ah! Indiozinho o que fizeram com você, fica ai a espera do brilho da moeda. Moeda que o velho sentado em seu orgulho, cabelos brancos, rugas que lhe revelam a idade, olhos que passam olhos que não querem enxergar, ouvidos que não querem ouvir. Velho, anônimo ao olhar alheio, quantas coisas viveu, quantas coisas estes olhos cansados enxergaram, quantas histórias tem para contar, quantas moedas para levantar-lhe. Moeda que a mãe tenta ganhar, com seu carrinho de doce, para o leite comprar, e seu filho sustentar. Leite! Leite, que os homens com suas fardas azuis autoritárias não a deixam ganhar, com os olhos brilhando, uma lagrima eu vi rolar. Ah! Mãe como queria te ajudar, mas acovardando-me em meu mundo, de semáforo em semáforo em meus próprios pensamentos. O brilho do sol vai dando lugar ao brilho da lua, os pássaros fazendo seu último bailado, e eu, no conforto do meu lar, a espera do sol voltar, para minha janela brilhar.

Ricardo Cardoso

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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