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Frase de J. Freitas

É com esgar de esfomeado que me ponho a saborear vorazmente o verbo. A carne minha que do escrever depende. Do viver insólito, do morrer mais insólito ainda. O que era não mais é, o que será talvez já seja. Eu não sei. Nunca vi. Se vivo, amo. Se amo, desfaço. Se desfaço, refaço uma vez mais e assim, amo novamente. O ciclo de minha vida é acíclico. Mutante, mutável. Amável, entrementes. Ouço o risco do lápis no papel, dançando ao compasso de minhas mãos gélidas, deixando palavras vulneráveis, passiveis de serem apagadas. Que se apaguem. A mesma fome do verbo que me fustiga agora é a mesma que me fará escrever tudo de novo, viver tudo de novo, e ainda assim, viver tudo diferente.

J. Freitas

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de J. Freitas

De tanto falar em vida, espera-se viver mais intensamente. Comigo já não ocorre sob tamanha trivialidade. Falo de vida para ter do que falar de forma convicta, descomprometido com o resto. Falo de vida imaginando como ela seria, ignorando o que ela é. Falo de vida sob os acordes…
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De tanto falar em vida, espera-se viver mais intensamente. Comigo já não ocorre sob tamanha trivialidade. Falo de vida para ter do que falar de forma convicta, descomprometido com o resto. Falo de vida imaginando como ela seria, ignorando o que ela é. Falo de vida sob os acordes do tempo e o odores do acaso. Faço sim, pouco caso de quase tudo. Vida não foi feita para se levar tão a sério. Sou constantemente inconstante. O mesmo que diz: "voe!", diz: "pouse". De tanto falar de vida, me condicionei a ver algumas coisas de olhos fechados e boca calada. A vida não foi feita para que retenhamos tudo o que ela oferece. Falando de vida ininterruptamente, acredita-se saber mais dela do que qualquer outro errante. Ora, mas se é errando que se aprende, onde fica a coerência? Não sei se quero mais falar de vida. Quanto mais falo dela menos sei e mais me aproximo da morte. Sorte?