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Frase de Wander Motta

CHAPÉU-BARQUINHO Por onde andará a minha ilusão? Teria perdido-se nas vielas surreais d'algum vale utópico e, clamando por ajuda amargura? Quem sabe... com medo da tempestade ficou escondidinha ou aproveitando-se da calmaria saiu... de fininho... de mansinho... Ou... será? cansou de ser ilusão quis ter uma profissão navegante ajudante comissária estagiária real ou imaginária? Será que num porto seguro encontrou seu comandante... mas... o que acontecerá doravante? Respondo que muda ficará minha escrita... pálido meu azul... triste minha lida... norte meu sul... E nem assim ela volta... por onde andará minha ilusão não sei... Preciso procurá-la nos campos, rios, mares, bazares... afixar cartazes percorrer ruas visitar lares subir na grua gritar pra lua sentar na calçada insone tentar o tarô ler um haikai que atrai consultar o oráculo superar o obstáculo displicente encantar a serpente de parapente vasculhar o continente Onde estará a minha ilusão não sei só sei que ela se foi de mansinho e levou consigo o meu chapéu-barquinho...

Wander Motta

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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CONTA-GIRO Mão não quer pés não vão
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CONTA-GIRO Mão não quer pés não vão mente doente deseja viciada alma devassada dura calçada vista embaçada vida atrofiada... :. É fria é fogo é foda tudo roda :. Conta-giro suspiro maldita saideira tonteira cegueira cana rama grama cama lama quebra-cabeça galo dormente cão vadio cara lambida chão imundo primeiro gole último do mundo... :. Sem noção sem direção sem prumo sem rumo sem sentido sem real sem vergonha... :. Tá mamado tá amarrado levanta estanca o corte fica esperto tenta a sorte o azar é certo...

DANÇA DA CHUVA E choveu... E choveu...
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DANÇA DA CHUVA E choveu... E choveu... Durante longos meses Choveu e choveu. Rios e mares encontraram-se num só curso. E inundaram, e destruíram, e tudo invadiram. E povos inteiros pereceram. Mãos para os céus rogaram preces. Profetas diziam que tudo estava escrito, E agarrados às suas profecias, submergiam. Boatos corriam que crianças com nadadeiras nasciam, E que ricaços em transatlânticos partiam... para onde iriam? :. E... choveu, e... choveu... :. E, quem sobreviveu... com a intempérie aprendeu! E reprojetaram, e reinventaram, e reciclaram, e tudo reconstruíram. E da água comeram, da água beberam. E, quem diria? A água já não mais temiam.! ................................................................ Até que... um dia...! ................................................................ A chuva cessou E o sol novamente brilhou E as águas retrocederam E rios e mares aos seus cursos verteram Profetas emergiam bradando eu já sabia!, e bisonhamente sorriam Boatos corriam que das crianças as nadadeiras caíam E que transatlânticos de luxo numa floresta jaziam E o sol brilhou e brilhou... E as casas voltaram a ser casas As ruas voltaram a ser ruas Os povoados voltaram a ser povoados Barcos, obsoletos, dos telhados foram retirados E o sol brilhou e brilhou por longos meses... :. Brilhou, brilhou...! :. E o rio secou A colheita não vingou E a fome imperou Mãos para os céus rogaram preces De onde tirar sustento, aplacar a sede? E povos inteiros pereceram... E, nas noites quentes da única estação que restou Ouviam-se o chacoalhar de corpos suados Ao tenso ritmo da dança da chuva... :.......... 12.12.2007

MULHER_POEMA Hoje quero deitá-la suavemente
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MULHER_POEMA Hoje quero deitá-la suavemente despi-la de frases feitas que tanto lês em teus livros... quero arrancar-te essas estruturas vocabulares esses surtos metafóricos polimórficos sintáticos dicionarizados cifrados metódicos... : Hoje quero torná-la uma poesia de rima fácil e final feliz nada de palavras rebuscadas febrilmente emaranhadas seletamente misturadas sabiamente intelectualizadas : (Quem sabe disfarçá-la num mini-conto de dois parágrafos desses de aprendiz... o que me diz?) : Quero copiar versos da minha mente e tatuá-los na intimidade da tua pele docemente entremeados com azuis intensos brilhantemente pautados com amarelos radiantes elegantemente decorados com verdes translúcidos indecentemente pontuados com vermelhos febris... : Ao final, minha musa vou fazer a minha leitura vou reconhecer-me em teus vãos pelos meios seios vou reler cada frase transformada em verso sem traumas sem frescuras sem rodeios e dedicar essa poesia_mulher à personagem_tema... à mulher_ poema

QUERO-QUERO Não sou Flamengo, muito menos Botafogo
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QUERO-QUERO Não sou Flamengo, muito menos Botafogo aliás, nem gosto de jogo dizem que sou briguento violento... ataco, sim, minha cria defendo não me rendo : Nesse gramado cerrado insetos, larvas, sementes encontrei o refúgio perfeito no solo, frágil leito : Em fraque marrom-metálico ponho-me a desfilar caminhante elegante voo rasante não sou extravagante : Apaguem as luzes! quem invadiu o habitat de quem? cuidado! cheguem pra lá! vão me ferir meus ovos destruir com essa bola me machucar... com suas chuteiras me mutilar... nesse pedacinho escolhi pra morar e estava tudo tão calmo até essa multidão chegar... deixem de lero-lero por que correr, chutar, brigar? o que sei fazer é gritar! ! QUERO-QUERO!!! ! livremente voar! ! QUERO-QUERO!!! ! meu filhote criar! ! QUERO-QUERO!!! ! A partida que disputo dura minha vida inteira: :. V E N C E R significa S O B R E V I V E R nem precisei treinar para A P R E N D E R : . É isso que quero QUERO-QUERO!!!