Pular para o conteúdo

Frase de Marcus Deminco

AS VARIAÇÕES DO AMOR Amo o amor, e toda forma que dele descendeu. Do mais ordinário amor previsível, Ao amado amor que se perdeu. Das sanhas do amor rancoroso, Ao recalcado amor reprimido. Dos contritos do amor pesaroso, Ao magoado amor compungido. Amo o amor abnegado, O amor sublime, E o amor minguado. O amor com prazer, O amor sem paixão, E o amor libertino. O amor afetuoso, O amor casual, E o amor clandestino. Amo o amor sem vontade, O amor do mundano, E o amor da castidade. O amor comedido, O amor puritano, E o amor excedido. O amor da vileza, O amor carinhoso, E o amor com pureza, O amor proibido, O amor lascivo, E o amor consentido. O amor conturbado, O amor platônico, E o amor imbricado. O amor carismático, O amor antagônico, E o amor pragmático. O amor indelicado, O amor oportunista, E o amor carente. O amor com a fé do cristão, E o cético amor do descrente. Amo o amor com mentira, O amor verdadeiro, E o incerto amor do talvez. O amor exagerado, O amor da equivalência, E o parco amor da escassez. Amo todo ser indefinido, Aquilo que não foi nomeado, E o amor fementido. Amo tudo que ainda se desconhece. O amor açodado, E o amor que nem a carne apetece. O amor com angústia, O amor libidinoso, E o amor altruísta. O amor com sentimento, O amor jactancioso, E o amor sem cabimento.

Marcus Deminco

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Marcus Deminco

BRIGANDO COM DEUS Ainda que infrutuosas convicções incitem o meu mísero direito de gente, eu não exigirei mais de Deus todas as explicações que me foram omitidas desde quando fui arrancado do calmoso útero que me cobria e arremessado, inexoravelmente, ao labirinto ilógico desse…
Continuar lendo

BRIGANDO COM DEUS Ainda que infrutuosas convicções incitem o meu mísero direito de gente, eu não exigirei mais de Deus todas as explicações que me foram omitidas desde quando fui arrancado do calmoso útero que me cobria e arremessado, inexoravelmente, ao labirinto ilógico desse fadário universo de venturas. Eu sou sem pedir para ser, e mesmo carregando o indesejável estorvo da incoerência que veio pregada comigo, quero, inexplicavelmente, continuar sendo quem eu nunca saberei se fui. Sou um gerúndio de reticências funambulando descalçado com a razão ignorada que herdei. Sou um sujeito assim... Aleatoriamente à toa. Sem motivo algum para ser. Pois se o tenho, não conheço, e ao desconhecê-lo torno-me um estranho insignificante de mim mesmo. Submisso a passiva incapacidade de prever a minha sina, sigo buscando desatinadamente o meu tino. Mesmo sem saber se o tenho. O meu destino vestia-se de casualidades intempestivas para ludibriar que minhas atitudes mudariam o meu futuro, entretanto nunca fora nada senão, parte da estúpida necessidade humana de acreditar que tudo seria em conseqüência de minhas nobres decisões. Mas, deixando um pouco de lado as crenças dos desesperados, que por defesa vital nos cega, ainda consigo enxergar com a sobriedade desapontada de um descrente que, o futuro da minha vida sempre independeu das minhas escolhas. Meus amanhãs são ignotos de mim, assim como todos os meus anelos são subservientes aos planos que não seguem sequer os meus roteiros. Sou um fantoche com asas que não voa. Aprisionado numa grande interrogação invisível que não responde as minhas perguntas por preces. Sou impotente, oco e não carrego sequer, a minha própria razão. Sou escravo de uma entidade onipresente que jamais encontrei, curvado aos intermitentes equívocos da sua soberana onisciência que – nem ao menos – posso contestar. Biologicamente, até que com rara racionalmente, explicam de onde eu vim. O que de maneira geral, não elucida muita coisa. Tampouco minora essa minha totalmente tola falta de rumo: como se o bastante fosse suficientemente vital, batizaram a minha carne com um nome, deram-me um coração de vidro trincado, um espírito que nunca vi e privaram-me do meu significado de haver... Afora a certeza de um indesviável desfecho, que ainda rogo a misericordiosa reputação do tal criador para que procrastine de encontrar. Ainda assim, ao revés de toda lucidez e contradizendo qualquer sobriedade, eu não reivindicarei mais de Deus as justas justificativas que ele me deve. Pois, atrelado aos acaso do descaso, trilho o meu caminho por pura intuição, oscilando entre passadas alargadas da certeza inexistente, com pegadas hesitantes de medo, tropeçando nas incertezas que me inibem de ir adiante ou anelante entusiasmo quando quero andar ligeiro. Porque, permeio a toda insensatez que torna a vida ilogicamente incoerente, também persistem irracionais significados que a fazem prazenteira o bastante para vivê-la sem buscar a racionalidade que não existe em existir.