Frase de Diogo Gonzaga
O Rosto e o Rastro O olho avista o traço, a curva, a cor, E apressado o peito chama de amor. Mas o que brilha na luz do meio-dia É apenas o eco de uma fantasia. Pois o rosto é o porto, a fachada, o cais, O amor, porém, habita em águas mais profundas e reais. Não se ama o brilho que a retina consome, Mas o peso do silêncio e o jeito que ela diz seu nome. É preciso o cansaço, o riso sem jeito, Conhecer o defeito que mora no peito. Só quando a máscara o tempo desfaz, É que o "gostar" descobre do que o "amar" é capaz. A beleza atrai, convida e seduz, Mas só o que é alma sustenta a luz. Se o rosto é o livro que a gente folheia, O amor é a história que o sangue semeia.
No pensador.ai desde