Frase de Maurileni Moreira
LER OUVINDO SIMPLES DESEJO DE NEY MATOGROSSO Mais uma para você. O mar, assim que cheguei me atemorizava. Hesitei algumas vezes em ver as ondas quebrando, umas com as outras. Eu não sei nadar. Nesse sentido esta terra é inexplorada e pode me causar a morte. Sendo ela de que simbolismo e/ou objetivo for. Por enquanto não me atrevo a entrar de cabeça. Um mergulho que seja poderá entupir as minhas vias respiratórias e em questão de segundos o oxigênio dos plânctons ser insuficiente para a minha (nossa) existência-relação-causalidade. O máximo que me dispus foi sentar na areia branca em posição de mantra, fechar meus olhos, respirar profundamente e permitir que se o mar quisesse ele viesse até a mim, tocar meu corpo começando por dentro... Um susto que assalta a sensorialidade física – corpórea. Permaneci assim por minutos seguidos e sempre pensando, perguntando a Yemanjá se ela queria levar esse meu medo de ideias grávidas. As palavras grávidas são irreversíveis. Se a ela eu soprasse uma resposta querida ela me devolveria em ressaca de vistas de Capitu. Daqui encaminhei para a sua caixa de mensagens mais uma mensagem daquelas, coisas que se diz quando nos encontramos ‘temporariamente’ envolvidos. Liquidamente enviesada por teus/meus desejos. Se me olhar atravessado essa noite e eu com esta minha pele queimada de sol e parafina eu juro que faço o mar sangrar. Jorrar biologicamente hemoglobinas e... e... e... Células morenas. Amava as ciências biológicas, só que agora a ciência das insanidades de “risco” me diz que a célula – aquele significado de uma caixa vazia está permanentemente não concluindo a ligação, não consigo ainda me impor frente às vontades da natureza. O preencher-se não chega. O mar está em tempo de me levar e a maresia inebriante grita para que tenhamos palavras límpidas e não tão salgadas. Você está me ouvindo? Tira a concha do ouvido, o silêncio também tem sua linguagem. É uma comunicação. Depois do infinito abri os olhos e o céu estava se tornando em chuva, esperei que neblinasse, que gotas me possibilitasse a boiar por dias inteiros dentro delas. Por que a imaginação é algo do plano das ideia? Bate aqui na porta, já disse trezentas vezes que é só chegar. O mar me confidenciou um segredo. Lembrei da sua imagem em fotografia – a correnteza na sua íris. Precisamos, se o mar sangrar, nos des-partir. Compreende isso? A cidade é pequena daqui a pouco a sua maré vai virar. E nem era preciso fazer exclusões... Ou por dois corpos germinados na saga de paixão ou por um fim de conhecimento. Estamos em estado de percepção alterada. Experiencie seu corpo! Você é um ser corporificado. A imagem do Outro é do outro. Construa a sua imagem. Quero que sangre. Sangria em mares turbulentos. Estou em maré alta, só falta a lua cheia para me acompanhar. Vai me olhar atravessado? Chega primeiro por aqui... Nosso caso é volitivo.
No pensador.ai desde