Frase de Thaise Lemos jupiter
Eu escrevo como quem beija. Um beijo longo, demorado, carinhoso. Um beijo desses de língua. A língua se movimenta lentamente e me permite um gosto ao mesmo tempo do outro e de mim mesma. Do outro que me encontra neste texto e do que há em mim que permite o encontro. Eu escrevo como quem vive. Assim, simples, fazendo um texto de vida, na vida. Às vezes, penso, afinal, que texto é esse que eu produzo? Que vida é essa agenciada pelo sabor das palavras compartilhadas, sussurradas, como um afago? Quem é esse outro que me encontra e quem sou esse eu mesma que se expressa, que se entrega... Nesse delicioso beijo de língua? Nesse movimento que, afinal, eu mesma provoco? O gosto vem do meu movimento mesmo associado ao movimento do outro. Quando escrevo, eu me inscrevo. Fica também o meu gosto no gosto da língua do outro. E isso me remete a não querer parar de escrever. Nunca. (Maria Luiza Cardinale Baptista)
No pensador.ai desde