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Frase de Carlos de Castro

⁠ERA Como se fosse hoje, minha mãe partiu Num treze de maio que o Maio sentiu Como se fosse a mãe dele a fugir Para outro maio de sentir Como ele sentiu. Era Fátima no altar do mundo Era esse o mundo de minha mãe Deixando os que amava em horror profundo E a Fatinha dela, pequenina, também. Era o desabar de vidas coloridas Entre flores vivas, vividas E num relâmpago destruídas Por um raio de vidas partidas. Era, como se fosse hoje, treze de um maio De há quarenta e cinco idos, falidos Nos gemidos de minha moribunda mãe Ao ir-se sem o primogénito ver... Meu Deus, que razão de sofrer !? Que castigos! Só depois de tu ires, ó Cristo é que foi a tua mãe! Eu que tanto queria partir em vez da minha Choro agora e sempre, pela manhãzinha A dor que só sente quem a não tem...

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)