Frase de Vitor Filgueira
Na noite tensa de um passo incerto, ergue-se o medo, denso e desperto. No peito, o pulso corre ligeiro, entre o instinto e o mundo inteiro. Não busca a guerra quem quer viver, nem deseja ferir, nem quer sofrer. Mas há momentos — duros, fatais — em que a paz se desfaz nos vendavais. É quando a vida, em risco iminente, clama por força, firme e urgente. E a mão que treme, sem desejar, torna-se escudo para se guardar. Não é vingança, nem ódio cego, é o direito de não ser entregue à sombra fria da injusta mão que ameaça o corpo e o coração. Legítima defesa — nome austero, carrega o peso de um ato sincero: proteger o sopro que insiste em ficar, quando tudo parece desabar. E após o eco do gesto tomado, fica o silêncio, denso, marcado. Pois mesmo justo, o ato em si deixa cicatrizes dentro de quem o ouviu e o fez ali.
No pensador.ai desde