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Frase de Alexandru Solomon

Espumas flutuantes É quase meia-noite. Por que o sono tarda? Chegada é a hora, daqui, desta mansarda, Olhar o firmamento, em sombras embebido, E receber das ruas constante alarido. Monótono murmúrio, mais uma vez repita A velha cantilena de um laço de fita, Mas, por ter retomado o verso centenário, Irão meus detratores chamar-me de plagiário? A ânfora sagrada repleta até a borda Entorno com cuidado. O líquido transborda. E afogado em néctar, aos poucos esqueço Aquela dor que um dia virou-me pelo avesso. Perdido na saudade daquela criatura, A mente se rebela, protesta, esconjura. Mas rende-se covarde à sombra que levita, Fantasma do passado com seu laço de fita. Abafam os meus passos espessa alcatifa, Espio Sherezade à frente do califa, Contando o sonho louco de um jovem colegial, Que viu na Messalina a aura de vestal. O tempo foi trazendo a doce acalmia, O sono se aproxima da ânfora vazia, E no mais lindo verso de púrpura escarlate, O caos da amnésia, debalde se debate. Pois outros são os tempos. Mas vejo a figura Menina com seu laço de Vênus imatura, Tu, náiade perversa, eu, um cabuletê. Teu corpo é espuma cobrindo o Tietê.

Alexandru Solomon

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Pensador.com

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Chico Buarque Sempre foi a mais bonita das meninas dessa sala. Não, não é do Chico Buarque, é daquele que vos fala
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Chico Buarque Sempre foi a mais bonita das meninas dessa sala. Não, não é do Chico Buarque, é daquele que vos fala Que, por sua conta e risco, admirava as melenas Da menina encantadora, que não era de Atenas. Para ela declamava os poemas de Neruda, Era um sinal dos tempos, uma “paixonite” aguda. Comentavam toda hora a Geni, a Carolina, Mas um dia, a Roda viva afastou-o da menina. Despedida lacrimosa cheia de “não me abandone”, Procurou diversas vezes conversar por telefone. Inspirado na Maysa ou, ainda, no Jacques Brel, O contato se manteve, só que via Embratel. Com o tempo, declinaram duração, ardor, freqüência E, com o passar da banda, conformou-se com a ausência. Corroída pouco a pouco, desabou a construção. Amanhã foi outro dia, apesar do coração. Muitos anos se passaram, numa festa do colégio, Encontraram-se de novo. Dissipado o sortilégio. Passearam em silêncio pelo pátio da escola, Recordando os bons tempos, quando lhe passava cola. Procurava ver no rosto da senhora corpulenta, Entre rugas, o sorriso, o encanto, a pimenta, Que haviam desertado sem sinal de compaixão. Ocorreu-lhe: “Para ela é a mesma sensação?” Conversaram mais um pouco com colegas de outrora. Nada mais fazia a ponte do “então” e do “agora”. Cabisbaixo, afastou-se sem que ela o notasse. Caminhando, só lembrava a mais linda da sua classe. Por instantes, a lembrança cativava por inteiro Parecia-lhe ouvi-la a cantar Pedro Pedreiro A imagem se turvava , apesar de obsessiva. Era tudo a vingança da maldita roda viva. Relembrava os momentos do passado esquecido E o trauma do encontro com o grande amor perdido. Vítima de uma lembrança que um dia o deixou louco, Prisioneiro de uma frase “partir é morrer um pouco”. Uma farsa do destino, um embuste traiçoeiro O instante revivido não valia o primeiro. Um abraço, um beijo morno e a viu se afastar Uma lágrima a segue , um suspiro: Vai passar. *Do livro ´´Desespero Provisório``, Ed. Edicon