Frase de nereu alves
Palco do Silêncio Por Nereu Alves Um dia brilhou como estrela na aurora, salão imenso, janelas abertas, luz que aflora. O palco, infinito em sonho e criação, morada da arte, da vida, da imaginação. Ali dançaram ideias, versos e canções, ecoaram risos, palmas, gerações. Cenário de peças, recitais, emoção — cada ato, um sopro de transformação. Ainda está lá, firme, sobrevivente, com vida que pulsa, embora diferente. Mas algo o abafa, o cerca, o silencia, como um véu pesado que cobre sua poesia. Ergueram ao lado um gigante sem alma, frio, sem história, que rouba a calma. Um elefante branco de concreto e vaidade, que engoliu a luz, abafou a verdade. O vizinho tombou, não por tempo ou idade, mas pelo descaso, pela falsidade. Assassinaram paredes cheias de memória, e enterraram ali um pedaço da história. Agora o palco, mesmo em uso e movimento, vive ofuscado por fora e por dentro. Resiste em silêncio, com dignidade, mas luta contra a sombra da modernidade. Não é preciso demolir pra matar — basta sufocar, fazer o brilho apagar. E onde antes brotava beleza e união, fica a sensação de lenta extinção. Mas há quem veja, quem guarde, quem clame, quem sinta que a arte é chama que inflame. Enquanto houver alma, memória e razão, não se fecha jamais o grande portão. Abram-se janelas, cortinas, corações — que o palco renasça em mil gerações. — Nereu Alves Dedico este poema à Irmã Maria.
No pensador.ai desde