Frase de Eu mermo
Jutid desperta num espaço onde memórias são paredes e vozes são ecos que se perdem antes de tocar. O chão pulsa, respira, o pé esquerdo formiga, o peito ameaça implodir. E diante dela, a figura incompleta ri a metade de um riso que conheceu mas nunca teve o direito de possuir. “Você ainda me carrega… ou só não sabe me deixar ir?” O sarcasmo emerge primeiro, a defesa automática que sempre falha, mas a voz engasga, hesita, e sai em gotas embargadas como chuva que não se atreve a afogar o lago de lama. O fragmento de si mesma, parado diante de si, não ri, não foge. A memória repete-se, o ciclo de perda e silêncio se repete, até que as palavras finalmente rompem o casulo de auto sabotagem. Não são perfeitas. Não são limpas. Não precisam ser. Mas existem. E nesse existir, a saudade ainda dói, mas não prende mais. O peso no peito se desloca, e um eco de verdade permanece. “Você não precisava dizer certo… Só precisava dizer.” O ar muda. O amargo perde força. E Jutid percebe que, finalmente, o silêncio não a define mais.
No pensador.ai desde