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Frase de Sérgio Antunes de Freitas

⁠SOMBRAS TARDIAS Após dias luminosos, é possível contemplar melhor as sombras do final da tarde. Elas chegam se esgueirando pelos cantos das varandas, dos alpendres, dos terraços. Aproximam-se dos nossos pés, como se quisessem um impossível afago. Vão se espreguiçando silenciosamente, até conformar a noite definitiva. Retributivas, quando são miradas, entregam como recompensa as lembranças da vida. Aos poucos, vão largando pelo chão as dores, os remorsos, as tristezas da gente. E fazem malabarismos com as recordações de emoções vividas, das fantasias esquecidas, dos beijos, dos abraços, das felicidades passadas. As sombras, assim como as artes, expandem a vida para muito além de seus limites conhecidos. Às vezes, em regiões ermas, trazem o urutau, cantando solenemente. As crianças, ao ouvirem a ave estranha e rara, correm para os colos seguros de seus queridos mais velhos. Alguém comenta: - Acho que ele está naquele mourão mais alto. E os pequenos olham de rabo de olho, com mais pavor ainda! Uma visita indesejável diz uma inconveniência: - Ele está anunciando algum velório! E as crianças arregalam os olhos, como se não quisessem ver mais nada. Em uma sala de estar tradicional, esses fantasmas inofensivos contornam quadros de molduras altas, com fotos antigas da família. É um sinal de respeito! Ou pavor de alertarem as pessoas para acender as luzes artificiais, que as escondem, torturam, mutilam, despedaçam. Ainda no acinzentado, quando ficam meio invisíveis, produzem sons inaudíveis das cantigas românticas e significativas para cada um. Vem também o gostinho dos jantares quentinhos e servidos em louças de ágata decoradas com motivos florais. É possível sentir a roçadura do tecido suave do pijama ou o toque de braços envolvendo o corpo criança. Com elas, vem o pedido velado e a oportunidade das orações de agradecimento, religiosas ou profanas. As sombras tardias não assombram, pois trazem a luz em sua natureza. E sempre se apresentam nuas como as verdades, vestindo apenas um manto diáfano de saudades. Sérgio Antunes de Freitas Maio de 2022

Sérgio Antunes de Freitas

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto...

MEU POEMA PREDILETO O azul, a lua enfeita; Cena feita de outrora.
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MEU POEMA PREDILETO O azul, a lua enfeita; Cena feita de outrora. Afloram horas de saudades, Das auroras e dos poentes, Lourejantes, em carmesim. De tanto olhar para o céu, enfim, O céu olhou para mim. Percorri décadas de poesias! Quadrinhas, sonetos, trovas, Concretas, líricas, Dramáticas e épicas, Muitos metros metrificados, Redondilhas maiores, menores, Amores em versos espalhados! Das rimas ricas que ouvi na vida, Das vidas que vi nas rimas, Em uma coletânea completa, Esquecidos, todos os dilemas, Abstraídos, todos os problemas, Vem o mais belo dos poemas, Chegou a Cora, a minha neta. Sérgio Antunes de Freitas 23 de novembro de 2022 ⁠