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Frase de Carlos de Castro

CEREJAS Degustava eu um ramo delas, Quase assim. Uma mais vermelhas Ainda de formas fedelhas De polpa ruim. Outras, matizadas de branco, Amarelado, E eu sou franco, Deixei as amarelas de lado. Algumas, de bordeaux vincado, Mas só cor Sem sabor Adocicado. Poucas mais encontrei Doces Ainda que maduras Apesar de duras Como o mel melado. Ia a meter a última à boca E parei. Era mais redondinha que as outras Mas muito vermelhinha E tinha Uma outra cerejinha Pegada à sua barriguinha Como uma mãe que acabou De dar à luz, E quer mostrar a filhinha Que reluz. Tive pena de as comer E num rebate de consciência, Com exemplar paciência, Fui metê-las em terra fresquinha: A cereja mãe e a filha, À espera que um dia destes Irão nascer mais cerejas Assim, Por mim. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 05-06-2023)

Carlos de Castro

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Pensador.com

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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr
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⁠O MENINO E A BOLA Ele ia atrás da bola. Que belo, ele a correr O menino de sua mãe, Que Deus a conserve e tem No enlace com seu pai, Em risonho amor de viver. Chuta, vá meu pequenino, Afaga os teus pezitos na bola, Com o esquerdo ou o direito O teu chutar é perfeito, Rumo ao verdadeiro destino Traçado na camisola. E no passar do sol pela lua, Pelo fogo, pelo ar, pela água Sem mágoa E pela terra, Um dia, nunca te esqueças Peço-te, não esmoreças, Pois a vida será sempre tua Nua e crua, Pela verdade que encerra. (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-04-2023)

O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada!
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O HOMEM DO POEMA Sempre que escrevia, agoirava: Não vale nada! Que poesia mais chanfrada!... Talvez namoro ou derriço, Ou grito agudo de lamento Daqueles que a alma vomita Numa sensata heresia, Enquanto lhe resta tempo?... Mas quando o poema nascia Na transpiração suarenta Do corte da placenta Do filho que foi dado à luz, Entre coxas de sofridão, Na mais completa escuridão Onde só se via a cruz, O homem chorava então, Já não agoirava e dizia: Eis a minha poesia Tão modesta, tão pequena, Saída da minha pena...⁠ (Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-10-2023)