Frase de MichaelBruthor
PALADAR DAS LÁGRIMAS Provei o silêncio que escorria entre minhas falhas, Um gosto antigo, ácido — quase memória primordial. Cada lágrima carregava um nome que eu esqueci, E ainda assim… elas sabiam exatamente quem eu era. No reflexo fraturado da noite, Bebi o que restou de mim — E descobri que o amargo também é um tipo de luz. Há um estudo secreto no modo como caímos: O chão não é punição — é um espelho invertido. Os erros, mestres sem rosto, me ensinaram a mastigar a dor Como quem degusta a origem do próprio destino. E quanto mais ruía, mais eu percebia… Que ruínas têm um idioma que só o coração partido entende. Deixei os joelhos encontrarem o pó da terra. Deixei meu peito rachar sem piedade. E no paladar das lágrimas, sorvi Um perfume de verdade crua — O gosto do que somos antes de fingirmos força. A tempestade me tomou pela voz, Mas devolveu-me um canto que nunca ousei cantar. Aprendi que a chama mais pura Nasce do que a água não conseguiu apagar. Que o pranto, quando sincero, É o batismo que escolhe o seu próprio sacerdote. Ali, no fundo da dor que me molda, Compreendi que cada renúncia era um portal, E cada portal — um retorno ao meu nome original. No fim, não chorei mais pelo que perdi, Mas pelo que precisei destruir para enfim me ver. E quando a última lágrima tocou a minha língua, O universo inteiro tremeu em silêncio. Não era despedida — era nascimento. Porque somente quem conhece o sal da própria alma É capaz de criar mundos onde antes só havia sombra.
No pensador.ai desde