Frase de Bruno Resende Ramos
Seca, a figueira supunha que em data alguma viriam lhe visitar. Nem era a estação de seus frutos. Como arbusto, orgulhava-se ao vento por suas madeixas. Um galileu faminto moveu-se até ela; inquiriu-lhe dos frutos. Sorriu matreira, se esquivou e silenciosa manteve-se. No âmago, a fome não o deteve. Saiu-lhe em palavras lançadas ao vento. Cobriu suas folhas, desceu pelos ramos, percorreu até o solo, achando suas raízes. Raízes são a boca das plantas. Ali, pôde o misterioso homem devolver-lhe a fome. Ele segue; e ela, seca, testemunha o mal que é fingir-se alimento diante da fome de alguém.
No pensador.ai desde