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Frase de João Maciel Rosa

⁠Ela estava lá Inébria, sombria Frígida como uma mulher em puerpério Seus cabelos acobertos Em capuz de feutro negro Davam o tom em branco e preto Clima de cemitério Enquanto eu escrevia Me sussurrava aos ouvidos Palavras, estalidos Inspirações de cortesia Era sim, a própria morte Do meu lado a gargalhar Afagava-me os cabelos Entre vida e pesadelo Inspirando meu desabafar Ali estava ela, ao menos mais uma vez É que ando morrendo demais Um poeta morre vez ou outra E aquele era só mais um dia Entre escritas e agonia Entre letras mortas e vazias O meu óbito de número trinta e três

João Maciel Rosa

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Pensador.com

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Outras frases de João Maciel Rosa

⁠*Súplica* Nessa vida ruim que a gente leva Nos arresta um tiquim de compaixão
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⁠*Súplica* Nessa vida ruim que a gente leva Nos arresta um tiquim de compaixão Tem profeta que mais parece o cão Desdizendo o que presta e o que não presta Difundido uma tal de salvação Pra um povo que a fé é o que lhe resta Tem político que fala até fácim Com palavras cheias de embocadura E o povo vivendo na amargura Num eterno ato de bravura Sem comida, bebida ou condição Esgueirando sempre na contramão Daqueles que vivem na fartura Deus do céu favor explica Porque me empreitou essa peleja De viver uma vida miserável Sem topar sequer alguém afável? Com a dor da labuta sertaneja Dessa vida eu sei nada se leva E assim espero eu mesmo que seja No inromper desses dias que caleja Quero mais é viver dias de festas Se tiver de voltar a viver assim Nesses anos feitos de dias ruins Por favor me esqueça, que assim seja!

⁠Todos estamos indo embora Uns sem muita pressa Outros sem demora
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⁠Todos estamos indo embora Uns sem muita pressa Outros sem demora Estamos todos de partida Apesar de parecer Que alguns não vão morrer Nossa passagem é só de ida Se de passagem cá estamos Porque tanto insistimos Em fortalecer desatinos Em se agarrar nos enganos? Precisamos plantar o bem Evitar alimentar desdém Seja a fulano, cicrano ou beltrano A vida é tão passageira Para focar em perda de tempo Deixar amor ao relento Assim, sem eira nem beira Enquanto a luz divina Em teus olhos brilhar Segue o feixo que ilumina Segue a luz do luar Rasgue o véu da cortina Ame sem predestinar Sinta no rosto a neblina Do dia que vai clarear Corteje o nascer do sol E contemple o escurecer Não se detenha nunca de viver Ouvindo um som em tom bemol

⁠Em 1500 quando fomos invadidos, domesticados, colonizados pela força, nos apagaram até as marcas de nossa civilização, de nossa cultura, de nossa história. Fomos chicoteados, amordaçados, vilipendiados... Nos levaram o ouro, a prata, a cana, a madeira e nos chamaram de BRASILEI…
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⁠Em 1500 quando fomos invadidos, domesticados, colonizados pela força, nos apagaram até as marcas de nossa civilização, de nossa cultura, de nossa história. Fomos chicoteados, amordaçados, vilipendiados... Nos levaram o ouro, a prata, a cana, a madeira e nos chamaram de BRASILEIROS, como uma referência a quem extrai pau Brasil, nosso gentílico faz alusão ao trabalhador braçal que contribuía com a extração de nossa madeira que levada para a Europa serviria para virar tinta. É tão verdade que não somos BRASILIANOS tal qual os Italianos ou Americanos, nem BRASILIÊS tal qual o Português ou Norueguês. A propósito, somos o único país que adota o sufixo "EIRO" na descrição de sua nacionalidade, tal qual o faxineiro ou garimpeiro. Nossas heranças culturais enraizadas em nossos hábitos nos dizem muito de quem somos. Mais de 500 anos depois (só para constar, somos mais velhos que os Estados Unidos da América), mesmo sendo um país soberano, livre e o maior produtor e exportador para o mundo de suco, café, soja, carne, frango, leite, minério, açúcar, celulose, algodão... Tendo um imensa biodiversidade deveras invejada pelos países estrangeiros, um traço multicultural único, um extenso território geograficamente equilibrado para cultivo de diversas culturas do agro, ainda vemos, em plenos dias atuais, um sentimento aflorado de "capaxismo" e de submissão de nosso povo imperando, como se, amarrados a grilhões que não existem e experimentando uma síndrome de Estocolmo por seu algoz, se sentissem bem em se ajoelhar e beijar os pés daqueles que outrora os domesticaram pela força e pelo chicote de verdade, só que dessa vez a resignação é voluntária.