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Frase de Harlies Dhascar

⁠Uma voz dentro de sua alma ecoava um grito de socorro, e de novo ela se sentiu sozinha, sentada à beira daquele abismo. Haviam rosto de todos os tipos, mas ninguém a ouvia. Ela parou por um instante, assustada, e começou a ouvir sua respiração ofegante. — “É só mais um dia” — gritava com ela mesma. Acostumada com aquela dor costumeira, ela levantou-se enxugando suas lágrimas como sempre fazia, era como se já fizesse parte da sua rotina. Engoliu seco. Àquela voz mais uma vez foi silenciada pelo absurdo. Ela sentia medo, mas, no fundo, ela sabia que precisava fugir dali. Com passos lentos e ainda muito assombrada, ela caminhou até a pia do banheiro para lavar o desespero que avistava em sua face. “Ninguém precisava saber o que havia acontecido ali”, ela pensou. Ao levantar à cabeça para se olhar no espelho, ela enxergou uma figura muito familiar: uma sombra, muito aflita e abatida. Ela não se conteve e de novo se afundou em lágrimas agarrando o tecido de sua camisa florida já manchada do sangue que escorria de seus lábios. Uma ferida acabara de ser rasgada no mais profundo de sua alma e doía mais que a dor física que ela sentia naquele instante. Abaixou-se colocando três dedos na garganta para tentar aliviar a sua ânsia, mas nada saiu. “À sua morte estaria chegando? ”. Pensou por um instante. Balançou a cabeça para afastar aquele pensamento medonho e observou as paredes cinza à sua volta que na sua cabeça parecia dançar. Ficou perplexa querendo entender como que ainda continuava ali, sozinha jogada aos prantos. Soluçava. Ela não tinha muita certeza do que fazer. À feição de seu rosto mudara e agora ela não parecia mais ter medo. Ela suspirou um ar de culpa que parecia não a pertencer e foi se arrastando com confiança até uma porta branca que avistava em sua direção. Um suor frio congelava à sua pele. Ela fechou os olhos para afastar aquele sentimento de medo que parecia voltar ao seu interior deixando uma última lágrima cair. Cerrou os punhos com muita raiva e continuou a se arrastar pelo chão. Estaria próxima do fim? Pensou com clareza. Um caminho de sangue se estendia à medida que ela se aproximava da porta. Uma leve intuição de esperança tomou conta do seu interior dando lhe uma impressão de alívio, e a única coisa que ecoava agora era o som de sua respiração ofegante. Semicerrou os olhos por um instante para conter uma lágrima e respirou fundo para não precisar gritar. Ela já estava cansada e os efeitos colaterais de suas dores a deixava cada vez mais fraca para finalmente sair dali. Uma memória de sua infância tomou conta de sua mente. Agora ela tinha medo, tristeza, raiva, angustia, e uma vontade maior ainda de se libertar. O que havia acontecido no passado se repetia? Uma força maior se criou dentro dela e já não importava mais o que acontecesse. Àquela lembrança a despertou algo que ela jamais imaginou que teria algum dia: a coragem pra enfrentar seus próprios pesadelos. Finalmente ela girou a maçaneta da porta. Seu corpo, que agora se mantinha em pé, corria em direção ao que poderia ser a luz no fim do túnel. O grito de socorro finalmente foi dado pela sua insegurança. Parecia que seu coração ia explodir no peito à medida que ela se distanciava dali. O medo que havia sido enraizada dentro de si durante anos de repente transformou-se em esperança. Ela sabia que não era a única que precisava se libertar, assim como também sabia que outros lugares haveriam corpos ecoando um grito de socorro onde ninguém mais podia ouvir.

Harlies Dhascar

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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⁠Tem vezes que eu crio cenários paradoxos na minha imaginação. Eu viajo entre nuvens e estrelas e depois parece que o céu nem existe de verdade. Às vezes mergulho nas profundezas de um rio tranquilo e de repente estou apenas perdido entre árvores de uma natureza sem fim. Eu me an…
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⁠Tem vezes que eu crio cenários paradoxos na minha imaginação. Eu viajo entre nuvens e estrelas e depois parece que o céu nem existe de verdade. Às vezes mergulho nas profundezas de um rio tranquilo e de repente estou apenas perdido entre árvores de uma natureza sem fim. Eu me animo com pouco e me entristeço por muito. Sou fala, voz a ás vezes somente silêncio e solidão. Tem dias que sou vento forte e às vezes apenas sopros na calmaria. Tem dias que sou festa, aventura, e outras apenas passageiro num caminho sem volta. Sou esforço, capacidade e depois apenas tédio numa vontade promíscua de desistir. Sou novidade, boa nova, e às vezes apenas passatempo temporário. Tem dias que sou arte, música boa de se ouvir e depois apenas extermínio e crise existencial. Eu sou uma pessoa forte, determinada e depois alguém cheia de medos e fraquezas. Às vezes sou janelas e pores do sol radiando por dentro da minha imensidão e outras vezes sou apenas uma escuridão despercebida. Eu sou muitas vidas, infinitas perspectivas e histórias, e nessa narrativa paradoxal de querer ser, eu me vejo sendo tudo pra depois ser nada, e essas são apenas minhas estranhas maneiras de existir.

⁠Suspirei vagarosamente ao encontrar seus olhos enquanto deixava meu café esfriar na mesa; logo eu que amava café. E mesmo que eu enchesse meus pulmões de ar para respirar eu não conseguia disfarçar minhas mãos suadas e inquietas, da qual eu insistia em passar na minha velha calç…
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⁠Suspirei vagarosamente ao encontrar seus olhos enquanto deixava meu café esfriar na mesa; logo eu que amava café. E mesmo que eu enchesse meus pulmões de ar para respirar eu não conseguia disfarçar minhas mãos suadas e inquietas, da qual eu insistia em passar na minha velha calça jeans, a mesma que eu haveria usado em alguns outros encontros. Fiquei procurando algo no pensamento que pudesse dizer, alguma palavra solta que fosse, mas nada eu conseguia lembrar. Por isso fiquei apenas paralisado ao te observar. Se eu tivesse que descrever a perfeição, eu descreveria todas as suas formas, o modo adorável de como se ajeita na cadeira ou de como leva a xícara de chá até a boca de forma cuidadosa e alinhada, uma verdadeira obra de arte. Me veio na cabeça a ideia de usar as palavras pra te elogiar, mas quais palavras? “Uma mulher adorável” — era tudo que eu conseguia pensar. Sorri nervoso. Meu silêncio parecia ser mais agradável. Me pergunto o que te faz querer estar aqui agora quando poderia estar tomando esse chá em qualquer outra mesa com outro alguém que não fosse eu. Talvez eu deva agradecer ao destino ou qualquer força do universo que tenha sido responsável por esse encontro, mesmo que eu não tivesse palavras ou saberia as mais certas a te dizer. Extasiado. Haveria uma palavra da qual eu conseguia pensar. Nosso silêncio foi finalmente quebrado por um barulho incomum; existiam mais pessoas ao nosso redor? Eu já não consegui mais lembrar. Se existissem era impossível notar tais existências. Tornei a fitar seus olhos castanhos, e com ar de segurança senti a frieza diminuir no corpo lutando pra encontrar as palavras certas, e uma coragem finalmente me fez falar: — Estou encantado — meus lábios se moveram devagar. Nossos olhos de encontros longos logo se transformaram em sorrisos. Mais um suspiro, nenhuma palavra, apenas uma xícara de café frio na mesa.

⁠O devaneio de tentarmos nos adaptarmos com o novo parece ser uma ideia até genuína. Mas daí precisamos liberar novos espaços, encaixotar o velho e nos libertarmos do que no passado parece não nos pertencer mais. Precisamos sair da nossa zona de conforto para sair de casa, conhec…
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⁠O devaneio de tentarmos nos adaptarmos com o novo parece ser uma ideia até genuína. Mas daí precisamos liberar novos espaços, encaixotar o velho e nos libertarmos do que no passado parece não nos pertencer mais. Precisamos sair da nossa zona de conforto para sair de casa, conhecer novas ideias, conhecer novos lugares, absorver outros detalhes. Pensar nisso já se torna até cansativo. Mas quer saber? O natural das coisas parece ser isso, de adaptação, e viver sempre as mesmas coisas nos tornam pessoas passadas, pessoas velhas, sem nada de novo para oferecer. Nem o que sonhamos todas as noites parecem ser a mesma coisa sempre, às vezes mudam, assim como a superfície da terra, dos planetas que parecem se movimentar e mudar toda hora de lugar. E se por acaso o tempo resolvesse não mudar mais, qual clima temporal você estaria correndo o risco de viver pra sempre? A mudança é essencial. Uma árvore não nasce sem nunca ter caído uma semente no chão, assim como também não nascemos da mesma forma que somos hoje, foi preciso de uma evolução antes, foi necessário o crescimento do nosso corpo, desenvolvido todos os dias sem que percebêssemos. Até o calendário muda. Então é dada a interpretação de que não há desculpas que argumente qualquer falta de espaço de mudança em nossas vidas, porque o novo precisa existir, precisa se ocupar. Caberá a nós tentarmos a nos adaptar nessas constantes transformações, mesmo que isso possa exigir esforço e tempo, mas que deixemos mudar com calma, devagar, porque até onde sei tudo parece mudar, tudo parece se adaptar, e o velho se torna apenas nosso ponto de partida pra poder chegarmos algum lugar.