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Frase de Ademar Ferreira dos Santos

Não cobiço nem disputo os teus olhos Não estou sequer à espera que me deixes ver através dos teus olhos Nem sei tão pouco se quero ver o que vêem e do modo como vêem os teus olhos Nada do que possas ver me levará a ver e a pensar contigo Se eu não for capaz de aprender a ver pelos meus olhos e a pensar comigo Não me digas como se caminha e por onde é o caminho Deixa-me simplesmente acompanhar-te quando eu quiser Se o caminho dos teus passos estiver iluminado Pela mais cintilante das estrelas que espreitam as noites e os dias Mesmo que tu me percas e eu te perca Algures na caminhada certamente nos reencontraremos Não me expliques como deverei ser Quando um dia as circunstâncias quiserem que eu me encontre No espaço e no tempo de condições que tu entendes e dominas Semeia-te como és e oferece-te simplesmente à colheita de todas as horas Não me prendas as mãos Não faças delas instrumento dócil de inspirações que ainda não vivi Deixa-me arriscar o barro talvez impróprio Na oficina onde ganham forma e paixão todos os sonhos que antecipam o futuro E não me obrigues a ler os livros que eu ainda não adivinhei Nem queiras que eu saiba o que ainda não sou capaz de interrogar Protege-me das incursões obrigatórias que sufocam o prazer da descoberta E com o silêncio (intimamente sábio) das tuas palavras e dos teus gestos Ajuda-me serenamente a ler e a escrever a minha própria vida.

Ademar Ferreira dos Santos

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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