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Frase de Alice Coragem

⁠Compromisso Era um dia comum, eu estava em casa sentada na mesa da sala, escrevendo. Igual hoje. Igual todo dia. E aí aconteceu. Algo entrou aqui. Senti um vento... vento não, sopro. Senti um sopro, como quem respira por perto. Não era medo o que eu senti, mas sabe-se lá o que era. Passou um vulto do meu lado. Pisquei e sentou à minha frente. Muito parecida comigo, mas completamente diferente. Me olhou por inteira, por de dentro da minha alma, como se me rasgasse. Eu? Eu nem reagi. Estava hip-no-ti-za-da. Por fora, imóvel. Por dentro, uma bateria de escola de samba saindo do recuo. Ficamos nos ouvindo em silêncio como quem pinta uma cena na cabeça. Para não esquecer, sabe? E eu não esqueci: os olhos brilhantes, o cheiro de horizonte e a voz de silêncio, de quem se cala porque sabe de algo. Toda minha atenção estava naquela figura. Tentando eternizar na memória a sensação daquela presença. Ela, muito decidida, estendeu a mão pra mim. Eu aceitei, claro. Quando minha mão encostou na dela senti um frio. Não dela, de mim! Minha espinha veio congelando lá de baixo até chegar na cabeça. Como se eu tivesse bebido um milk-shake muito rápido, sabe? Parecia que tudo na minha vida tinha me preparado para aquele exato momento. Eu, de mãos (geladas) dadas com uma estranha (conhecida), sentada na mesa da sala da minha própria casa, sentindo o coração derreter feito vitamina C na água. Ela, segurando a minha mão que segurava a mão dela, me puxou pra dançar. Ali mesmo na sala, em frente ao sofá, em plena tarde de quarta-feira. E como duas pessoas que não têm mais nada de importante pra fazer, mas não podem perder nenhum minuto sequer, dançamos na sala ao som de uma música própria. (Como se tivéssemos uma). Eu gosto de imaginar que era algo como 'Travessia' do Milton com 'Beija eu' da Marisa. Tão linda ela. Os cabelos como fogo, olhos de enverdecer sertões e um sorriso, que só quem já chorou suas águas consegue sustentar. E giramos. Giramos como quem já se entendeu livre para poder girar. E no meio do giro que ela girava, me abraçou. Assim, de surpresa. Ainda girando. Eu chorei. Eu não queria, mas as lágrimas simplesmente escorriam. Até o mundo parou seu giro para nos olhar. Como quem torceu a vida toda por este abraço: eu e ela. Um abraço apertado, mas só o suficiente. Abraçou não como quem se despedia, mas como quem ama recebe o ser amado depois de longa ausência. Foi aí que ela sussurrou no meu ouvido: — Vai! Desnorteada, respondi: — Pra onde? Ela sorriu com olhos gentis e disse com voz firme: — Não importa pra onde. Vai sem saber. Vai com medo. Eu vou contigo! Então, fizemos um compromisso. Ela iria pra onde eu fosse, bastava eu ir. Eu só não poderia parar outra vez. — Vai, volta, vai de novo. Se não souber o caminho, dança, gira, passeia, só não fica parada. Ali eu entendi. Ela só existe no verbo. Aparece no passo iniciado mas some antes que ele finalize. É preciso iniciar outro para ela voltar. Mas é na caminhada que ela se muda e mora de vez. Jurei de pé junto (mas ainda em movimento) que seguiria em frente porque ela estaria comigo. E como garantia desse acordo entre nós, agora assinamos um só nome. Eu e ela. Alice e Coragem. Juntas. Numa só alma. Alma presente chamada poesia. Com a palavra, Alice Coragem.

Alice Coragem

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Pensador.com

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Tenho, mas não é meu. Às vezes, na vida, a gente experimenta Tão forte desejar alguma coisa, Que parece que na nossa alma, Este Desejo tem sabor de Saudade. Como se quiséssemos algo que, Na verdade, sempre foi nosso. O nome disto é Propósito. A necessidade de um certo fazer Que bate no nosso peito Antes mesmo de termos o coração formado. Com a palavra, Alice Coragem.

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Propósito Eu vou usar tudo que tenho em mim, todas as minhas ferramentas de comunicação, toda minha arte, só pra você se ouvir. O meu propósito não é falar. O meu propósito é você se ouvir: Existe, para além dessa nossa existência tacanha, uma perfeita Poesia invisível, orquestrando essa melodia chamada Vida e convidando, insistentemente, nossa Alma para dançar. Há neste meu propósito uma certeza ardente de que a vida merece ser experienciada por completo, afinal, viver é a nossa maior dádiva. E nessa certeza mora uma Esperança viva de que, enquanto tivermos uma alma Deus poderá ser sentido. Este é justamente o ‘Sentido’ da vida, não esse monte de compromissos que você marca só para fugir de ir pra casa se encarar. E nem esses textos bíblicos que você posta mas não entendeu que fé é sobre descansar. Tampouco essa culpa que você insiste em se punir por não ser perfeito ou apenas por errar. Isso não é vida. Vida é esse instante sagrado onde sua alma encontra o Eterno. E o meu propósito é te fazer lembrar disso. Volta pra casa. Com a palavra, Alice Coragem.

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Espelho A vida é sobre refletir. E refletir é sobre se ver. Sobre olhar seu reflexo e refletir de volta refletindo sobre sua reflexão. Quem largar esse ciclo primeiro, morre. E morte em vida é a pior que há. Mas o morto não sabe disso... Ele não reflete. Com a palavra, Alice Coragem.