Frase de KANGAL
Maria Delice Há mulheres que aprendem a costurar tecidos. Tu aprendeste a costurar o invisível. Enquanto a agulha atravessava o pano, teu caráter atravessava gerações. Cada ponto que teus dedos desenharam continha uma virtude: a paciência que não se vende, a bondade que não faz alarde, a caridade que nunca pediu testemunhas e a força que escolheu permanecer doce. Chamam-te costureira. Eu chamaria de artesã do destino. Porque uma roupa cobre o corpo por algum tempo; o amor com que a fizeste permanece quando o tecido já não existe. Teu nome não está gravado em monumentos, mas repousa em algo mais difícil de conquistar: a memória agradecida de quem encontrou descanso na tua presença. Essa é a única eternidade que o tempo jamais consegue desfiar. Maria Delice, teu maior trabalho nunca foi feito com linhas, mas com gestos. Tu remendaste esperanças rasgadas, alinhavaste famílias dispersas e bordaste dignidade onde a vida insistia em deixar cicatrizes. Se o mundo fosse um grande tecido, poucos perceberiam que são mulheres como tu que impedem a própria realidade de se romper. Quando minhas palavras se apagarem e o tempo consumir o que construí, ainda haverá um fio atravessando nossa história. Esse fio terá teu nome. E nenhuma tesoura, nem mesmo a do tempo, será capaz de cortá-lo. Do seu neto, James Richard!
No pensador.ai desde