Frase de Isabel Morais Ribeiro Fonseca
PAUSA DE VERBOS I Não nego que me entrego sempre Que cheguei ao ponto do insano Procuro refúgio nas ondas do mar E é na loucura que no mar navego Se o tempo insiste em levar-me Perdi-me intoxicado na dura vida Mergulho no vento, pó sem horas Cada dia é estranho, já sinto na pele II Os meus medos costumam voar Só queria ser, um poeta irreverente Eu entrego-me, mas nunca me nego Num sensível sorriso já permanente Já que algumas vezes ele quis ficar Mas o amor morre nos meus versos Sem tecer uma única palavra minha Sento-me descalça na calma varanda III De uma outra linguagem da nostalgia Em vez de ir, quero ver tudo a passar Ocorre-me, então, com alguma certeza Não é uma questão de palavras soltas Antes de fechar as noites vazias no mar Desfaço no meu peito, fragmenta tarde Onde tropeço com minhas asas violeta A passear, meia-noite numa pausa verbos.
No pensador.ai desde