Frase de Maria Riber
A dor corta. Mais fria que o gelo, mais afiada que uma katana. Não chega com ternura, nem com piedade. É indesejada como a visita inesperada de um parente distante, aquela que ninguém quer receber. Ela desnorteia, faz tremer de raiva só por existir, e, paradoxalmente, agradeço por sua presença profunda. Não a entendo, nem a expulso. Mas sinto sua força e sei: ainda estou viva. A dor é ambígua; vazia e completa, forte e frágil, louca e sã, eterna e fugaz, calma e tempestade, causa e remédio, amiga e inimiga, indesejada, porém essencial. E a ela eu agradeço. Porque só me levanto após a queda; como pérolas que nascem da ostra que sofre, porque só aprendo quando sinto. A dor não é amiga, mas tampouco inimiga. É a mestra silenciosa que me ensina a ignorá-la, e, ao mesmo tempo, a conviver.
No pensador.ai desde